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30.12.10

Análise: Vídeo SNG Vip The Special One [Educa Poker]

Em primeiro lugar, gostaria de demonstrar todo o meu apreço e apoio à iniciativa Educa Poker. Pelo que percebi, é a nova face da antiga Escola de Poker - que continha uns vídeos soberbos de sits do João Barbosa - e que se mudou da Everest para a Pokerstars. Se não fosse o escasso tempo actual disponível, seria certamente aluno assíduo desta "nova" escola. Recentemente foi lançado um vídeo de um SnG especial, onde participaram os Team Pokerstars Pros Henrique Pinho e Nuno Coelho, assim como outros jogadores de renome portugueses como João Barbosa, David Abreu (Esmone) ou Catarina Santos. Os comentários do vídeo ficaram a cargo do próprio David Abreu que em conjunto com Luís Reis analisava os sits enquanto jogava.
Reconheço o talento e raciocínio lógico de Esmone no poker, no entanto existiram certas falhas que - propositadas ou não - não são boas para quem está a começar a jogar sits de uma forma séria e regular. A primeira foca-se, como é óbvio, de aquele ser um SnG especial onde todos - ou talvez a maior parte - dos jogadores se conhecem bem. Daí existirem jogadas específicas que apenas se aplicam naquele caso em particular. Ora, num SnG dito normal não se conhece ninguém da mesa - em príncipio - o que torna dificil, por exemplo, dar 3 bet-shoves com 88 ou 99 ao SB no botão. Esmone chama a atenção no vídeo para este facto, e fá-lo muito bem. A segunda prende-se com um comentário de Esmone a uma jogada do "Special One" TMFS11 em que este dá raise de 3 BB's no botão e Esmone na SB opta por dar shove all-in com pokect middle pair - caso a memória não me falhe. TMFS11 dá fold após segundos de raciocínio, e Esmone refere que se ele quisesse dar raise com intenção de foldar teria de ter raisado 2.5 BB's e não 3. Ora com todo o respeito já prestado acima, é aqui que eu acho que está o erro. Nunca se devem alterar apostas destas consoante as nossas mãos, pois isso torna o nosso jogo explorável. O mais correcto será raisar sempre a mesma quantia, seja ela 2.5, 3 ou 3,5 blinds. Deception é um conceito fundamental, quer estejamos a jogar sits, mtt's ou cash games. Assim como não concordo - e isto nada tem haver com a aula do Esmone - com o min-raise a não ser quando as blinds já atingiram um nível astronómico e um raise standart já representa uma boa percentagem da nossa stack. Vamos ser sinceros, é uma má jogada: estamos a permitir que os outros jogadores vejam um flop barato e praticamente estamos a convidar as blinds a juntarem-se à festa, e muita EV é perdida a fazer coisas desse tipo.
O terceiro e último reparo que tenho a fazer é relativo ao conceito de ROI. Quando Esmone e Luís Reis num fabuloso diálogo acerca de psicologia no poker falam acerca da variância incrível que existe nos SnG, Esmone diz: "Dou um exemplo de um dia que estava a fazer umas sessões de SnG's - estava a jogar 30 ao mesmo tempo - e na primeira sessão fiz um ITM e na sessão a seguir em 30 tive um ROI de 110%." O conceito de ROI está aqui muito mal representado. ROI significa Return on Investment é um conceito que pretende avaliar o lucro tirado dos SnG's pondo a variância de parte. É considerada a melhor maneira de vermos se realmente somos bons jogadores ou não, e calcula-se dividindo o lucro puro (lucro total - total buy-ins / Custo total). Mas acontece que este conceito apenas funciona com amostras enormes e não com uma amostra tão curta como a de 30 SnG's. O mínimo é considerado por muitos autores como sendo 1000 SnG. Aí sim, ao fim desses 1000 SnG calcula-se o ROI (que é dado gratuitamente em sites como o sharkscope ou topshark). E agora perguntam vocês: muito bem, mas como sei se o meu ROI é bom ou mau? Um bom jogador de sits procura um ROI entre os 9%/11%. Podem ver agora o estranho que é ter um ROI de 110%? Como é óbvio, Esmone referia-se apenas a essa sessão de sits e acabou por passar uma mensagem muito errada de como utilizar o ROI. Como pode isto ser grave? Muitos iniciantes podem jogar 30 Sits e a coisa corre bem, vêem um ROI astronómico e acham-se os melhores do mundo quando na verdade não o são. Para vos dar um exemplo, o André Coimbra - acho que todos concordamos quando digo que ele é um dos melhores jogadores on-line portugueses - tem actualmente um ROI de 2% (via sharkscope).

No entanto, re-afirmo mais uma vez que os professores são excelentes e aula recomenda-se sem dúvida. Estou certo de que os próximos vídeos irão ser mais cuidados no que toca a estes enganos, e continuarei a seguir sem dúvida toda a iniciativa - à qual, aproveito desde já, para dar todos os meus parabéns a todos os envolvidos.

VER VÍDEO:
- PARTE 1 -
- PARTE 2 -
- PARTE 3 -

Cumprimentos,
André Leitão

4.8.10

Crítica: O Mau Comportamento nas Mesas

Toda a gente fala em fair-play, aliás, recordo-me que há uns tempos atrás até era moda: crianças entravam nos jogos com bandeiras enormes a dizer fair-play, em certas jogadas os jogadores devolviam a bola ao adversário e por aí adiante. O fair-play (jogo justo, ou jogo limpo em tradução livre) é uma componente que todos acham ser essencial no desporto, mas que raramente marca a sua presença: esta é a verdade, todos o sabemos. E é pena, pois neste conceito tão renegado como é o de fair-play encontramos valores tão importantes como a disciplina, auto-controlo e respeito pelo adversário.

Como devem imaginar, todo este conceito tem uma passagem directa para o poker. Na sua enorme - e mais conhecida - vertente de torneios, considero o poker como sendo um desporto: e como tal, a vertente do fair-play deverá sempre estar presente. Mas como dito acima, esse é um sonho que dificilmente se acabará por realizar. Isto porque o poker é um jogo dificil mas atraente, que custa bastante a perder quando achamos que dominamos o jogo.

Para fintar as ilegalidades, vamos fingir que somos americanos a partir desta altura do artigo, pode ser? Quem não tem nos seus jogos caseiros, um amigo que desata a barafustar com tudo quando não tem sorte (ou simplesmente joga mal)? Um amigo que atira com as fichas quando perde, que acusa os outros de não saberem jogar tão bem como ele, que ao ser rivered paga a aposta final apenas para confirmar que está batido e depois se põe a explicar em agonia com os termos técnicos que conhece como foram boas as suas jogadas mencionando antes de cada ponto final a sorte inexplicável que o vilain teve no river? Quem não tem um/uns amigos desses?

Passemos para os casinos - aqui já podemos ser portugueses novamente - onde a situação é igual ou pior. Vejamos uma carta de uma dealer profissional brasileira de Texas Hold'em à revista FLOP:
"Ser dealer não é fácil. Nós somos os culpados, azarentos e tudo e mais alguma coisa. Somos amados e odiados simultaneamente. Às vezes, somos lentos ou apressados. Não temos o direito de ficar cansados nem de cometer qualquer erro. Todos podem perder a calma, e mesmo com todo o cansaço psicológico, somos os únicos que não podem pôr cá fora todo o stress mental. Ser uma dealer mulher é mais complicado, ainda. Mulher bonita, que trabalha à noite com jogo é lamentavelmente mal vista. E, numa fracção de segundos, os meus quatro anos na faculdade de jornalismo e mais alguns meses a estudar na Europa são rapidamente... 'foldados'."

É certo que esta carta representa, acima de tudo, o desabafo de uma dealer feminina no mundo do jogo brasileiro. No entanto, contém em segundo plano todas as acções dispensáveis e incorrectas que os jogadores têm na mesa.

As pessoas entram em stress cedo demais, e como grande parte dos jogadores que têm este tipo de atitude são inexperientes, julgam ter nuts quando não o têm. O poker é um jogo de percentagens, não de sorte. Costuma-se dizer que "a sorte é provocadora, atira-se a todos mas não é fiel a ninguém". No jogo que eu pratico, divulgo e defendo; a "sorte" representa a minha experiência e conhecimentos - e nunca gira à volta de amuletos e superstições.

De que serve estar numa mesa de poker, e estragar todo o clima de boa disposição que existe barafustando com toda a gente, culpando toda a gente... quando na verdade se calhar os culpados somos nós? Por tudo isto, considero este tipo de atitudes intoleráveis, para além de que tornam a pessoa mal vista.
É certo que existem coolers, e situações em que estamos muito à frente e acabamos por perder a mão: mas ninguém disse que o poker era um jogo fácil ou, como o ei de pôr, previsível. É importante entender que se trata de um jogo a longo prazo, e que por isso, o que realmente interessa não é a bad beat que sofremos: mas sim ter a capacidade de analisar e saber se a jogada foi boa ou não - independentemente das cartas que cruelmente foram colocadas na mesa. E após isto, colocar uma última questão: será que vale apena insultar outra pessoa, culpar a sorte e ficar mal visto por causa de uma mão de um jogo imprevisível?

por André Leitão


Este artigo está em discussão nos seguintes fóruns:
PokerNews
PokerPT
Donkr

25.7.10

Crítica: The Cincinnati Kid

Confesso que já ouvi falar muito deste filme, mas como o tema central é o 7 card stud nunca tive muito a curiosidade de o ver - não é que não goste de 7 card stud, aliás, às vezes estou na FullTiltPoker e jogo um pouco desta variante. A questão é que não acho que seja uma variante tão espectacular do poker para ser representada num filme, o Texas Hold'em é sem dúvida a mais emocionante e simples maneira de expôr o poker a um público pouco familiarizado com estas andanças. Pois bem, acontece que na altura em que o filme foi feito (1965) o que se jogava era mesmo o 7 card stud, e este foi um filme épico: não só por representar excelentemente o poker e toda a sua versatibilidade, mas também por conter o "Leonardo Di Caprio" de 1965: Steve McQueen.
E então lá inseri eu o DVD no leitor da sala para ver um filme que achei simplesmente uma obra prima. The Cincinnati Kid conta a história de Kid, um jovem brilhante jogador de 7 card stud que vive do jogo - Kid é considerado por todos como um dos melhores jogadores de poker do mundo. No entanto, existe sempre um "rei" na terra, e Lance Howard é "o homem". Lance é considerado o melhor jogador do mundo, e viaja por todas as cidades à procura de uma alma corajosa que o deseje enfrentar num jogo de poker. Como é óbvio, Kid deseja este jogo já há muito tempo: e quando sabe que Howard vem à sua cidade, consegue arranjar um jogo que promete ser bastante revelador a todos os níveis...
Pessoalmente, gostei do facto de não haverem fichas envolvidas nos jogos pobres. A única cena do filme em que são utilizadas fichas de casino acontece quando vemos Lance Howard num jogo de sociedade com grandes magnatas políticos. Fora isso, o jogo é jogado com o que se aposta: dinheiro. As cenas estão excelentemente bem construídas, e o filme consegue apanhar brilhantemente o outro lado de um jogador de sucesso: as suas relações sociais e amorosas. O som é o único aspecto que leva nota negativa, mas para um filme de 1965 vamos ser sinceros: o que esperaria? Maldito dolby, porque vieste tão tarde?

Citações Memoráveis do Filme:

"- Como raio é que sabia que eu não tinha o rei ou o ás?
- Lembro-me de um jovem fazer a mesma pergunta ao Eddie, o tipo. 'Filho...' respondeu-lhe ele, 'Tu só pagaste para ver. As aulas são pagas à parte.'"


"- Fizeste raise de 10 mil com uns míseros 3 ouros?
- Em suma é a isso que tudo isto se resume, não? Uma jogada errada no momento correcto."


"És bom Kid, mas enquanto eu andar por aqui és o segundo melhor. Espero que aprendas a viver com isso."


* Alerta de spoiler no texto abaixo *

O fim do filme é algo que eu acho simplesmente genial, uma coisa de génio. Ele perde na última mão de full house para straight flush, e o filme termina com a sua miséria. Quem se lembraria de um final destes, para um filme em que supostamente o actor profissional é um jogador de poker imbatível? Magnífico e genial.

por André Leitão

21.7.10

Opinião: Online Poker Info


Como sabem, um dos pontos fortes deste blog são os artigos de estratégia. Não sou eu que os escrevo - espero daqui a uns largos anos quando tiver mais experiência poder começar a enveredar por esse caminho. Portanto todos os artigos que aqui encontram no blog são descobertos em livros, sites e afins que eu procuro para melhorar o meu jogo. Numa destas pesquisas on-line, encontrei um site que me agradou e surpreendeu bastante: não apenas pela sua apresentação, mas mais pelo conteúdo. Daí eu sentir-me obrigado a fazer este post, visto que as últimas críticas que tenho feito a sites não têm sido muito positivas - e como o poker em Portugal não é negativo (parabéns a todos os jogadores que marcaram presença nas WSOP 2011) aqui vai:
Refiro-me ao site Poker.pt - Guia para o poker online, site português onde encontrei diversos artigos de poker muito bons - não só de material avançado mas também referentes a aspectos básicos de estratégia (como o valor da posição, apostar correctamente, etc) o que eu acho fundamental para os jogadores iniciantes nestas andanças. Isto fez-me repensar os artigos que tenho postado no Poker Kings, pois sempre defendi que este seria um local de começo para qualquer pessoa que quisesse aprender poker e os artigos que ultimamente tenho postado estão num nível já mais avançado. Por isto, tiro o chapéu ao Online Poker Info.
E com estas epifanias lá continuei eu a navegar pelo site - que conta também com notícias actualizadas, video podcasts de jogadores e diversos códigos bónus para inúmeras salas: algo sem dúvida a explorar. Como aliados de peso, o site Online Poker Info conta com o PKRPokerpt (o conhecido site que revolucionou o poker on-line criando uma experiência 3D e que agora oferece um excelente código bónus de boas vindas de 100% até $800) e a Everest Poker (sala que patrocina a jogadora portuguesa Catarina Santos e que está aliada à excelente Escola de Poker). Por tudo isto, acho que a Online Poker Info é sem sombra de dúvida um sítio a visitar para quem queira melhorar o seu jogo.

por André Leitão

Guia de Poker, Everest Poker, PKR Poker

20.7.10

Porquê confiar nas stats dos sites?

Boa noite gente, bem aqui venho eu para mais uma crítica - desta vez aos sites de estatísticas de jogadores. Eu quando começei a jogar poker on-line, sempre utilizei o sharkscope. Isto porque, especialmente para mim que jogo exclusivamente SnG, era bastante preciso. Todos os torneios eram registados, e todas as estatísticas estavam certas. Depois surgiu o TopShark, que dá ranking aos jogadores através de cartas (sendo o 2 com 1 estrela o pior ranking e o A com 5 estrelas o melhor ranking possível - o André Coimbra está neste ranking). No entanto, as estatísticas de um para outro diferem mas isso é compreensível - é que o TopShark é um site relativamente recente e não acompanha os jogadores à tanto tempo como o Sharkscope. Daí eu até preferir recorrer ao Sharkscope quando são coisas mais sérias de maneira a ter o máximo de informação possível. Portanto, relativamente a estes dois tudo bem - não tenho nada a dizer.

Agora, não se pode negar que existem sites que têm o único e exclusivo propósito de fazer exploração de marketing dando aos jogadores uma informação que está bastante longe de ser a verdadeira. Como sabem eu jogo em micro limites, e já fiz cashout duas vezes aos $100 - isto é, nunca perdi dinheiro on-line. Pois bem, segundo o site Poker Table Rankings no meu pior dia perdi $140 - o que tem piada porque nunca tive tanta banca. O que eu quero dizer com isto é, bolas! Mas para quê? É o meu nome que ali está, aliado a mentiras que apenas servem para chamar possíveis cliques em imagens publicitárias.

(Nesta imagem pode-se ver claramente a diferença entre os sites)



(Outro exemplo muito caricato: eu jogo exclusivamente SnG. O único cash que joguei este mês foi em rush poker para obter o badge. Como tenho nas minhas estatísticas sessões de 23 mil mãos de cash games NLH? Depois outro pormenor engraçado é o rakeback: eu não tenho rakeback. O que eu pago ao site lá fica, ponto final. Como tenho eu rakebacks de $39 e por aí fora? Depois gostava que alguém me explicasse como é essa de eu ter perdido$160 numa sessão - como sabem a minha banca nunca passou dos $105)


(Outra incoerência: a Poker Table Rankings dá-me um ranking de 28/100 - devido a informação errada de coisas que simplesmente não jogo - enquanto que a TopShark dá-me um ranking altíssimo de K e 2 estrelas)

Atenção, eu estou a falar da Poker Table Rankings porque foi o site que mais me chateou, como este existem muitos mais. Isto faz-me lembrar uma situação caricata que tive e que resolvi às claras aqui no blog, quando um leitor anónimo deixou comentário dizendo que na rede ongame eu estava down $1246 em 500 e poucos torneios e que tinha perdido $170 a jogar cash game - quem não viu poderá ver o post aqui. Esta é a prova de como estes sites falsos nos fazem fazer figuras de ursos publicamente: eu joguei na rede ongame na bwin à já alguns anos, e saí de lá com lucro (podem pesquisar por provas em posts no blog dessa altura). Nunca joguei lá cash games, e investi $14 e levantei as $50 salvo erro. Estão a perceber? Como é que perdi $1246 em torneios e $170 em cashs se nem sequer tinha esse dinheiro? O mais grave disto tudo, é que estes sites podem levar a decisões erradas nas mesas a quem decidir dar validade aos dados lá apresentados.

Penso que isto deveria ser mais controlado, e pessoalmente já enviei um mail a exigir a não apresentação das minhas stats no site. Se as querem pôr, que ponham as reais.

Cumprimentos e boa sorte nas mesas,
André Leitão

9.7.10

Novidades Fantásticas na FullTiltPoker

Todos sabem - e atendendo ao visual que todo o meu blog tem tomado ao longo destes anos - que a FullTilt Poker é a minha sala de eleição para a prática do poker on-line. E como tal, satisfaz-me contar-vos os melhoramentos que este excelente site de poker tem feito.
Vou começar não pelo primeiro, mas sim pelo que me satisfaz mais: os badges de jogador. Agora cada jogador da FullTilt exibirá bagdes (crachás) no seu avatar, que mostrarão o afinco que o caro leitor tem pelo jogo aos seus adversários. Existem 4 badges, o badge de True Poker Player, o badge da Academia FullTilt, o badge do Iron Man e o badge do Rush Poker. O que eu acho de maravilhoso nestes badges, é que tornam toda a experiência de poker no site muito mais gratificante e muito menos monótona. E como estão ao alcance de todos os jogadores - já explicarei a condição para ganhar cada badge - é uma forma fantástica de fazer com que os jogadores saiam da sua área de conforto e experimentem coisas novas que o site tem para oferecer para poderem mostrar com orgulho os badges que já conquistaram.




Mas como se conquistam os badges? Vamos lá saber:

- Badge de True Poker Player: este badge é, digamos, uma prenda da FullTilt pois apenas é necessário jogar jogos a dinheiro no site. Portanto, este é um badge comum que toda a gente, ou pelo menos a maioria, terá posse.
- Badge de Academia FullTilt: na minha opinião, este badge é o mais interessante. Acreditem em mim quando digo que este badge irá melhorar bastante o nível de poker no site (infelizmente para mim, visto que vou ter mais trabalho nas mesas), pois só o conseguirá exibir no seu avatar quem tiver completado a 100% 3 desafios da academia no último mês.
- Badge de Iron Man: este sempre existiu, indicando que o jogador está classificado para qualquer nível do desafio Iron Man desse mês.


- Badge Rush Poker: este badge será conquistado a quem completar 50 FTP a jogar rush poker no mês passado.


Estas novidades são, na minha concepção, fenomais e irão sem dúvida aumentar a actividade no site (não é que seja preciso) todos os meses.

Outro melhoramento no software tem a ver com a visualização. Tudo bem, o novo modo está muito melhor do que o classic: no novo consegue-se filtrar ao máximo os jogos em que pretendemos jogar, enquanto que no classic é tudo uma salgalhada (turbos para aqui, hyper para ali, lá pelo meio encontra-se 6max normal). No entanto, o novo modo de visualização do lobby principal ficou muito maior, quase o dobro do classic. Acredito que isto seja complicado para quem abre algumas mesas, e não possui um monitor razoavel - entre outras chatices. Então, foi criada agora a mini visualização: que praticamente é o novo lobby com o tamanho do classic. Nada a apontar, simplesmente perfeito e um melhoramento que já era de esperar.


Estas são na minha opinião e interesse as novidades mais bombásticas, a que se juntam um novo modo de abertura automatica de lobbys de torneio (ao bom velho estilo de table ninja); torneios cashout em que se troca as fichas actuais por dinheiro ou até mesmo a opção run it twice em cash games, em que o turn e o river são virados duas vezes por acordo dos dois jogadores.

Aproveitem todas estas features fazendo download do software FullTiltPoker directamente aqui do blog Poker Kings, na página inicial em qualquer um dos banners. Boa sorte nas mesas!

por André Leitão

17.6.10

Os Ases do Poker - Reportagem TVI


Desta vez sim, uma reportagem decente acerca de poker na televisão nacional. Depois da fria e horrosa reportagem de André Antunes, veio algo muito mais pequeno em termos de duração mas com muito melhor conteúdo. Fazendo aqui uma metáfora "à la Dr. House", a reportagem da SIC seria como ir comer bifes a uma pizzaria. Adiante, que desse assunto já está tudo falado no post "A 'Pequena' Reportagem da Sic que ofendeu os jogadores de poker" .

Como eu dizia, esta sim foi a reportagem que interessa ao povo português - ou que pelo menos não vê como obrigação principal destruir o poker em Portugal, deturpando-o e vincando ainda mais preconceitos que parecem não querer abandonar a cabeça das pessoas.

A reportagem começa da melhor maneira possível com João "Jomané" Nunes a citar uma frase de Mike Sexton que se tornou imortal no mundo do poker: "Poker is a game that takes a minute to learn, and a lifetime to master!". Só nesta frase inicial, dá para se perceber logo que esta entrevista seria - à partida - diferente de todas as outras. O poker foi visto e retratado como um desporto e não como um vício - esta ideia foi transmitida ao telespectador várias vezes quer pela jornalista ou pelos jogadores.
Depois somos levados ao EPT no Mónaco, onde o telespectador pode ver e compreender - ainda que não de uma maneira tão submersiva - um dos torneios ao vivo que os portugueses mais têm jogado. Fica em registo a intervenção de Milhomens, que largou na reportagem todo o rancor guardado da já falada terrível reportagem da SIC. Por fim, são mostrados alguns dos jogadores internacionais mais influentes do torneio.

Da minha, levanto o dedo polegar à SIC. A reportagem era exactamente o que o poker nacional estava a precisar, Para quem diz que não houve profundidade táctica... bem, a reportagem era acerca do poker em Portugal e não acerca de ensinar a jogar poker. O que tinha de ser dito e mostrado está na reportagem, e isso é um excelente panorama para todos nós.

2.6.10

A Falta de Respeito no Poker On-Line

Saudações caros leitores! Já alguma vez apanharam aqueles tipos que simplesmente são insuportáveis? Criticam todas as mãos, falam de odds e pedem para a gente os ir ver ao sharkscope... e, quando damos por ela, estamos a pressionar um pequeno botãozinho chamado "mute" no chat. Quem são estas pessoas? De onde sairam? Porque parecem querer fazer de tudo menos jogar poker? Pois bem, como já devem ter deduzido, isso aconteceu-me recentemente e achei piada discutir isto aqui no blog. Então, a situação foi a seguinte:

Eu estou em midle position com ases, e há 4 limps. As cegas estão a 30/60. É óbvio que com ases não me posso dar ao luxo de deixar ir tantos limps ver mesa. Então, subo consideravelmente para 200. A estratégia resultou na perfeição, fiquei heads-up contra o jogador X para ir ver o flop. No flop só saiem cartas baixas, e ainda por cima era arco-íris. Eu ia falar primeiro, e achei que um check-raise daria muito nas vistas. Por isso decidi fingir um bluff de continuation bet, e atirei 300. Ele dá instant all-in, e eu instant call. Ele tinha 4-4 e eu venci a mão.

O que se passou a seguir foi algo de surpreendente e incrível:

- Chamou-me todos os tipos de nomes possíveis e imaginários
- Começou a dizer que o meu jogo era muito fraco
- Começou a tentar ensinar-me poker, explicando que joguei mal os ases porque não devia ter raisado (sem comentários)
- Insultou o meu/nosso país, dizendo e passo a citar: "Vives num país de merda, nem computadores vocês conseguem comprar."
- Falava de si como o melhor jogador do mundo, que aquilo era uma coisa impressionante

É óbvio que isto já aconteceu à maior parte das pessoas que está a ler isto, mas ainda ninguém tinha escrito nada acerca disto. Porquê?
Sermos boas pessoas e saber respeitar os outros jogadores não será mais importante do que saber jogar poker?

por André Leitão

7.5.10

Tira Teimas

Saudações caros amigos blogueiros!
Bom, em primeiro lugar gostaria de pedir desculpa pela falta de actualização do blog, mas como devem saber os estudantes esta fase é bastante complicada e deixa muito pouco tempo livre para estas coisas. Prometo no final desta fase uma actualização muito mais periódica e regular.

Agora, vamos para os assuntos sérios. Pela primeira vez, hoje recebi um comentário inoportuno e chato aqui no blog, no post que podem ver em baixo intitulado de "Running Bad". É óbvio que não o vou aceitar, no entanto pensei que se essa pessoa (que nem sequer tem a coragem de se identificar, nem com um nick qualquer) anda a dizer essas coisas em fóruns e outros sites tenho de ter no mínimo a hipótese de me defender. Irei portanto transcrever aqui o comment dele, e nas devidas pausas fazer o meu comentário. Então vamos lá:

"....... deixou um novo comentário na sua mensagem "Running Bad": 

LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOOL
este é o blogue de poker mais engraçado de sempre um homem que joga micro stakes cash game- jogou mais de 20 mil maos ! está em baixo 170 $ :(
jogou 316 torneios e tem um profit de 16 $ isto na full tilt.
Vamos a rede ongame?
André leitao perdeu nada mais nada menos que 1.248$ !, em 528 torneios."


Bom, o caro user começa logo o comment a atacar aquilo que efectivamente não sabe. O que realmente tem piada, é que eu até podia ter as stats que ele diz acima. Eu sempre me assumi jogador de micro stakes - nem sei qual é a vergonha em ser jogador de micro - e os leitores sempre souberam disso. Aliás, muitos dos posts em que conto os meus torneios coloco screens dos gráficos da minha banca, onde se vê perfeitamente que o limite chega aos 100 dólares. Depois, do tempo que dispensei até hoje do poker 95% foi em torneios e os restantes 5% em cash game. E vem-me este gajo falar do que perdi em cash, mas pronto.
No entanto, desminto estes dados todos. Não sei onde este leitor anónimo foi buscar estes dados, provavelmente à sua imaginação que diga-se de passagem: é muito fértil. Eu tenho o orgulho de poder dizer que não perdi um centavo a jogar poker on-line, e que tenho um lucro acima dos 60 euros na FullTilt. E na rede ongame? É extrema loucura falar em ter perdido 1.248 $, visto que só investi na Bwin 30 euros, e mal obtive o mínimo levantei para ir para a FullTilt. Quem me dera ter, sei lá, 200 dólares para investir no poker! Quanto mais 1.250! 
Portanto, em nenhum dos sites perdi dinheiro. Esta é a verdade, e caso tivesse perdido não percebo qual seria o mal disso. Se for preciso provas eu arranjo, não tenho problema nenhum em fazer isso. E não o faço por causa deste senhor do comentário, mas sim pela imagem que os meus leitores têm de mim.
Agora, tirando-vos da cena queria deixar uma nota ao nosso palhaço anónimo: Da próxima vez que escreveres o meu nome escreve como deve ser, se faz favor. Existem coisas que se chamam maiúsculas, e que se utilizam nos nomes das pessoas - que por sinal, devemos respeitar.

Enfim, continuando:

"Leitores deste blogue nao sejam burlados pelas "jogadas correctas" que vao trazer lucro que este escritor online vos diz."

Bom, de certeza que matavas a malta a rir quando ias no autocarro para a escola de ensino especial. Primeiro, eu não consigo burlar ninguém com os posts que escrevo. E depois, todos os artigos aqui postados são escritos por jogadores de poker profissionais - e não por mim. Eu limito-me a traduzir, e a colocá-los aqui no blog para utilização de todos. Existe uma coisa que se chama assinatura, e se vires os posts encontrarás no fim o nome do jogador profissional que o escreveu. Mas mais uma vez, e se fosse eu a escrever? Qual era o mal? Existe algum mal em êxpor ideias estratégicas nossas, a uma comunidade que tem igual amor por aquilo que fazemos?

E o comentário termina assim:

"Mais um jogador da moda phil ivey espero que continues a dar accao e doações para a comunidade de poker. 
ANDRÉ LEITAO ! BRAVO"

Não sabia que havia uma moda do Phil Ivey, mas tu lá deves saber disso. Quanto a isso das doações, nem comento. Posso jogar em micro stakes, mas pelos teus ataques aposto que já ganhei mais do que tu.


Eu continuarei a jogar o meu poker, e a partilhar com vocês, caros leitores, os artigos que leio para melhorar o meu jogo. Se há coisa que estou farto de encontrar é malta invejosa como esta que fez este comentário infeliz.

Os mais sinceros cumprimentos,
André Leitão

PS: Peço desculpa ao Mac, eu tinha-lhe prometido um artigo acerca de downswings mas isto está mesmo complicado de tempo para pesquisar e escrever. No entanto não me esqueci disso, ok? Grande abraço Mac. 

26.2.10

O Poker no Comité Olímpico

A PokerPT avança com a notícia de que a Associação Internacional de Jogos Mentais anunciou que tenciona aceitar como membro a Federação Internacional de Poker em meados de Abril. O que significará que o comité Olímpico aceitará o poker na sua lista de jogos de estratégia.
Ora, eu acho isto extremamente avassalador - principalmente tendo em conta a horrível reportagem que passou na SIC, que manchou o nome do Poker em Portugal e ofendeu todos os jogadores de poker.

Quando começei a jogar, não sabia que era necessária perícia ou experiência. Simplesmente ia ver o que as cartas me reservavam - mas a partir de certa altura pensei: "Bolas, existem profissionais disto. Não pode ser um jogo de sorte." Então liguei a net e procurei foruns ou sites que me ajudassem nesta questão. Foi aí que entrei no mundo dos artigos de estratégia, perdido entre conceitos que até então me eram totalmente desconhecidos, como o EV+/-, Position, Pot Odds, Implied Odds, Jogadas do cut-off, Large Stacks, etc... A lista é interminável. E o facto é que depois de ler isto, sentia-me melhor jogador. Os resultados estavam a ser cada vez melhores. Por isso saí, e comprei um par de livros: entre eles o único livro escrito por portugueses, em que vez um estudo interessantíssimo que prova por A+B como o poker é um jogo de perícia e não de sorte. Avançei então para literatura estrangeira: li Brunson, Phil Gordon, Barry Greenstein, Ted Forrest e até Phil Hellmuth (já não gostei tanto).
Hoje, e este blog é prova disso, sou jogador de micro e low stakes sem vergonha nenhuma de o admitir. No entanto, sou um jogador ganhador já com uns cash outs valentes. Tenho o orgulho de dizer que, para já, ainda não perdi dinheiro nenhum a jogar poker: antes pelo contrário.
Ora para chegar a este nível após milhares de jogos, é preciso saber. É preciso estudar. E é mais do que óbvio de que quem joga simplesmente por sorte, a longo prazo a única coisa que vai conseguir fazer é perder dinheiro. Isto porque o poker não se limita a um jogo, mas a milhares. As pessoas ainda não conseguem compreender isso. Não é num jogo de poker que se vê quem joga bem ou mal. Um jogador pode dominar por completo os adversários num jogo, quase sem perder uma única mão. O público vê, e aplaude o que aos seus olhos parece um jogador excelente de poker. O que é falso, porque se calhar ao fim de 300 jogos esse jogador apresenta resultados negativos. Isto gira tudo à volta da EV (Expected Value), e um grande jogador de poker tenta sempre maximizar ao máximo as suas mãos - isto é, fazer a jogada que até poderá resultar numa grande perda, mas que ao longo prazo trará lucro. Eu sei que é complicado de perceber, mas acreditem que não é assim tão dificil quanto isso. Ora para fazer este tipo de jogadas, é preciso coragem (porque é o nosso dinheiro que está em jogo), é preciso ter um bom cariz matemático, é preciso saber avaliar os spots, é preciso ter uma noção forte e rápida de pot e implied odds, etc. Ora isto, caros amigos, não é sorte! É sabedoria! E ao longo prazo, estes jogadores ganham e os outros perdem.

Posto isto, como vejo o poker na lista de jogos de estratégia do comité olímpico? Com um sorriso enorme, assim de orelha a orelha. Pode ser que se isto se concretizar, Portugal saia do preconceito que o consome em relação a este desporto.

por André Leitão

9.2.10

A "Pequena" Reportagem da SIC que ofendeu os jogadores de Poker

Faço parte daquele grupo de pessoas ingénuas que esperavam que esta reportagem fosse efectivamente acerca de poker... O título estava lá, o tema estava lá, e o "jornalista" (se é que se lhe pode atribuir esse termo) até viajou com a sua equipa ao PCA num dos resorts mais caros do mundo. Até aqui tudo bem, nada de espantoso. É aí que o jornalista começa a entrevistar os jogadores que até ali se tinham deslocado para jogar. Vemos então um senhor espanhol muito simpático que veio com um grupo de amigos jogar, e após mostrar o dinheiro que tinha planeado gastar na inscrição do main event e nos torneios laterais, o jornalista André Antunes pergunta: "O que vai fazer com esse dinheiro? Perdê-lo?" Foi mais ou menos nesta parte que me começei a aperceber da parvoíce em que aquela reportagem se iria tornar. Voltando ao tema do grupo de pessoas ingénuas: sim, fui daqueles que mandaram sms para o pessoal ver a reportagem, twittei e deixei aviso na wall do facebook. Por sorte ao contrário de mim, parece que houve muita boa gente que antes da reportagem ir para o ar já estava a antever o que iria sair dali.

A reportagem não se devia chamar "A Febre do Poker", mas sim "A Febre do Jogo". Este seria o termo correcto, porque vamos lá ver: poker é uma coisa. Video Poker, Blackjack e roleta são outras coisas completamente diferentes. A reportagem misturou todos estes conceitos distintos, e o fraco esforço e trabalho de André Antunes apenas serviu para mostrar o que é a mentalidade da nossa população em geral: o poker é considerado um jogo de azar, onde se perde muito dinheiro e bens. Esta linha de pensamento coloca-o portanto na mesma categoria que todos os outros jogos de casino. Conseguiram mostrar ignorância pura e crua, e uma tremenda falta de conhecimento acerca do que estavam de facto a fazer.
É-nos então apresentado o Rodrigo, um jovem de 20 anos que se assume viciado em poker. Bem, uma pessoa que não vai a escola, não tem amigos, namorada, não liga a família nem come para poder jogar não é um viciado: é uma pessoa muito, mas muito doente. Um viciado, categoria em que me coloco, é uma pessoa que adora jogar uma quantidade de horas fora do normal. Mas vá-se lá saber porquê, saio de casa, tenho namorada, estou sempre a viajar e disfruto cada minuto que a vida me proporciona. O poker é para mim, um vicio saudável portanto. E se tudo correr bem nunca pararei de o jogar.

A reportagem entra depois por caminhos absolutamente disparatados e ridículos, e até chegam mesmo ao cúmulo de mostrar uma máquina de tabaco que seria um simples engodo - escondendo por dentro uma slot de Draw Poker. A palhaçada continuou, passando por declarações soberbas do director da inspecção de jogos que afirma que o poker on-line é ilegal - apesar de não existir legislação que o defenda.

Depois entram os jogadores portugueses, que facilmente foram manipulados pelos jornalistas da SIC de maneira a passar uma ideia errónea do que realmente é o poker. Os jogadores que disseram as coisas acertadas, e provavelmente até falaram acerca de o poker não ser um jogo de azar mas sim de habilidade não apareceram na entrevista: isto porque o único objectivo desta entrevista era difamar o poker nacional e aumentar ainda mais o preconceito que já havia acerca deste desporto que tanto amamos. Não acham curioso que o João Barbosa, o único jogador português profissional da FullTiltPoker, não tenha falado para as câmeras? Pois eu conto-vos a verdade caros amigos, das duas uma: ou ele percebeu o que eles estavam ali realmente a fazer, e virou-lhes as costas; ou então deu entrevista e foi cortado. Isto porque não é preciso conhecer o João para saber que ele é um génio da matemática aplicada ao poker. Uma entrevista com ele iria sem dúvida, deliciar todos os telespectadores e mostrar que o factor sorte no poker é mínimo. Mas mais uma vez: não era isso que o "jornalista" da SIC pretendia. Não, ele pretendia audiências. E em vez de colocar o João a falar de probabilidades e de tácticas de jogo existentes, provando desta maneira aos telespectadores o real peso do estudo e experiência no poker, foram mostrar os rapazinhos no quarto a jogar poker on-line até às 5 da manhã. É triste. Queriam share - e de facto conseguiram, só contando com os milhares de jogadores de poker portugueses que ficaram à espera para ver a "Grande" mas pequena Entrevista. E agora caros amigos, vou tomar a liberdade de falar por todos os verdadeiros jogadores de poker em Portugal: eles tanto conseguiram um enorme share à nossa custa como também nos insultaram à força toda. Fomos apelidados de viciados, criminosos, pessoas sem vida social... doentes que precisam ao máximo de ajuda. O programa foi um autêntico ataque a toda a nossa comunidade. As únicas palavras que se salvaram no meio daquilo tudo foram as do Jomané, ao afirmar que "O poker pode ser um vício, assim como tudo. Desde que haja controlo e moderação, está tudo bem." Sinceramente, e não me perguntem porquê, não sei como não cortaram esta parte da reportagem. Há pois é, tinham de falar com o ex-director da PokerPT... não estavam à espera que o Pai do poker português não defendesse o poker, ou estavam?
Depois, e como prova de que eu não critico apenas para o mesmo lado, apareceram uns jovens a jogar nas suas casas, nas faculdades... enfim, é a cara deles que aparece na televisão. Esperemos que não haja consequências para esses actos. Eu sei que é giro aparecer na televisão, mas as vossas imagens passaram a seguir ao director da inspecção de jogos dizer que quem fosse apanhado a jogar poker apanhava pelo menos 6 meses de prisão.

E foi assim a grande reportagem da SIC, um ataque constante aos jogadores de poker e manipulação excretável de entrevistados. André Antunes deixa aqui talvez uma boa nota para quem não percebe nada de poker e acreditou na realidade distorcida passada pela sua reportagem. Mas para toda a gente que percebe de poker, e somos muitos, é um jornalista de fraca qualidade - que nem tempo tem para estudar e perceber os temas das suas reportagens - que conseguiu arruinar toda a boa imagem que tinhamos construído do poker em Portugal. Isto tudo feito para um canal que é o único que transmite torneios de poker, e que possui imensos programas que oferecem automóveis e 5 mil euros recorrendo a chamadas de custo acrescentado. Lamentável.

Nota: Deixo em baixo a terrível Reportagem para quem ainda não teve a infeliz oportunidade de a ver.


por André Leitão

1.12.09

Crítica: Poker Magazine #1

Eram cerca de 16:24 da passada segunda feira quando, após uma manhã fatídica de treino na faculdade, confiro o meu mail que felizmente me lembrou que nesse mesmo dia tinha saído a primeira revista de poker portuguesa. Rapidamente voltei a vestir os jeans, apanhei a carteira e dirigi-me à paragem mais próxima para ir comprar o que considero um marco na história do poker português.
A revista é gratuita e vem em conjunto com o jornal O Jogo, ou seja: paga-se €0,80 para ter acesso à revista. Isto foi um ponto positivo.

Não pude deixar no entanto, de reparar no formato do título da revista. O caro leitor irá encontrar o máximo de semelhanças possíveis entre o blog Poker Kings (que existe à quase 2 anos) e a nova revista de poker portuguesa. A palavra Poker no topo, e magazine por baixo com o traço estiloso a separar as duas palavras; exactamente com o mesmo tipo de letra. Ora, isto apenas me deixa contente: é sinal de que há 2 anos atrás não escolhi uma estética feia para o título do meu blog.

Quanto à revista em si, eu sei que é a nº 1, mas mesmo assim: pouco material. A revista consiste na sua maioria em entrevistas a profissionais, dando ao mesmo tempo o rescaldo do emocionante EPT Vilamoura ganho por António Matias. Não quero com isto dizer que a revista está má, pelo contrário: foi uma surpresa bastante agradável e aplaudo toda a equipa que finalmente conseguiu levar este projecto avante. No entanto há que tentar publicar artigos didáticos de estratégia para ver se aumentamos o nosso número de jogadores em Portugal. Quanto aos artigos publicados, estão bastante agradáveis - explicando claramente o que aconteceu nos torneios, e não utilizando termos muito complicados para o leitor em questão.

É bom abrir uma revista de poker e conferir os resultados que os portugueses e outros jogadores internacionais têm pelo mundo fora, mas também é importante aprender truques acerca do jogo. Veremos se a revista corrige esta lacuna na sua próxima edição.

26.11.09

O Grande Matias

Primeiro, rumores indicavam que um grande evento em Portugal estava prestes a acontecer. E só o facto de se ter tornado realidade, já foi algo de impressionante e assustador. Vilamoura foi o local escolhido para o famoso circuito europeio EPT - European Poker Tour (que já cheira novos locais, como por exemplo as Bahamas) tomar lugar.
Fabuloso, primeiro EPT em Portugal. Primeiras considerações a tomar: 1) a cobertura intensa dos media nacionais e internacionais; porque isto está longe de ser um torneiozeco qualquer - quanto mais para o pequenino (no entanto grande) Portugal que de braços abertos o acolhia. 2) A vinda de superestrelas da modalidade, como o ex-campeão mundial Peter Eastgate, Andy Blach, Bertrand Grospellier e muitos outros de igual nível.

Isto leva a uma conclusão que só por si, paga todo o espectáculo que recebemos: o reconhecimento a nível internacional do Poker português. Bem, tudo isto foi real antes de o torneio começar. Agora, ser um português a vencê-lo... foi sem dúvida a cereja no topo do bolo.

Cerca de 405 mil euros entraram nos bolsos de António Matias, que arrasou a competição começando a final table como chip leader. Disponibilizo em baixo, com a cortesia da PokerPT.com a conferência de imprensa completa dada por Matias, e as suas explicações e pensamentos acerca deste EPT. Envolvido por jornalistas que o inundaram de perguntas extremamente básicas (fruto do ainda fraco entendimento do jogo em Portugal), e ás quais Matias respondeu bastante bem. Houve no chat da PokerPT.com quem lhe acusasse falta de humildade. Eu sinceramente acho o contrário - humildade não faltou ali. Teve todo o mérito em vencer o torneio, e vangloria-se disso. No entanto, reconhece a força de Sarwer e de outros jogadores que teve dificuldade em ultrapassar durante o torneio. Diz que se não tivesse vencido este torneio, provavelmente não iria participar noutro do género. Ora, isto para mim não é falta de humildade; mas sim sinceridade e realismo acerca do que podia ter acontecido, do que aconteceu e do que poderá acontecer.

A SIC considerou-o no rodapé "Jogador Amador de Poker". Pessoal, joga regularmente na PokerStars; venceu o 1º EPT em Portugal jogando contra estrelas mundiais e vai continuar certamente, como o próprio afirma, nesta onda de circuitos. É tudo menos amador. E que tal um bocadinho de orgulho nos portugueses SIC?

14.11.09

Opinião: Mesa Final WSOP 2009

O evento mais esperado no mundo do poker teve mais uma edição, e que edição. Ausentando-me por momentos da final table e dos nomes grandes, a participação de jogadores portugueses foi bastante positiva - principalmente para os que conseguiram entrar no dinheiro.
A WSOP 2009 decorreu dentro dos parâmetros da sua estranha normalidade - falo da mítica entrada de Phil Hellmuth, dos regulares que vão todos os anos e que divertem os telespectadores com jogadas inesperadas. Por falar nestes regulares, confesso desde já que Jason Alexander (o inesquecível Constanza da série vencedora de Gremmys Seinfeld) me tem surpreendido cada vez mais a cada ano que passa. O seu jogo evolui de uma forma inacreditável, e parece que está a voltar cada vez melhor - convém não esquecer que na sua eliminação da edição de 2008 resultou de um all-in pré-flop em que Jason segurava AA. Nesta edição não foi injusta a sua saída, no entanto ficou a excelente impressão dada na feature table quando jogou mesmo ao lado de Greg Raymer. No entanto, para quem acompanhou toda a WSOP 2009, não precisava desse episódio para reconhecer a habilidade de Jason a jogar às cartas.

Quanto à final table, foi no mínimo... estranha. O Phil Ivey era sem dúvida o meu favorito, e o jogador que eu mais desejava que ganhasse a edição deste ano: vamos ser sinceros... só faltava isto ao rapaz. Era mesmo necessária aquela dama no flop? Cruel. No entanto, achei bastante exagerado o destaque que a ESPN lhe deu. Sim, é um jogador profissional na final table. Sim, é provavelmente o melhor jogador do mundo. E sim, eu queria mesmo que ele ganhasse. Mas era necessário focar o teaser inicial dos November 9 em torno do Phil Ivey? Ele nem sequer era o chip leader, era um dos short-stacks. E o exagero veio de todos os lados: desde a belíssima sequência inicial com todos os ases do desporto até que... aparece o Phil. "Será que ele é o escolhido?" Exclama Lon McEachern, seguido de frases como "Imagine o melhor jogador do mundo de poker, no maior torneio do mundo. É espectacular." Depois este exagero atinge o triplo do exagero quando é dita a frase: "Entre Ivey e a imortalidade, encontram-se 8 homens que esperam escrever o seu nome na história do poker." Basicamente, Phil Ivey contra 8 homens. É a mensagem que, tristemente, o ínicio do programa transmite. Não é verdade, e isso confirmou-se.

A final table, só a consigo resumir numa palavra: bad beats. Phil Ivey perde com AK contra AQ; Cada fez aquela recuperação espantosa de short stack a chip leader; e por aí adiante. Se isto é mau para os jogadores, é excelente para o espectáculo. A final table deste ano está recheada de all-ins e reviravoltas emocionantes. É sem sombra de dúvida um espectáculo, mesmo para quem não goste muito de poker.
Darvin Moon começou o dia como chip leader, e muito mal. Quis comandar a mesa, mas acabou por fazê-lo nas piores alturas possíveis. Isto entre shoves sem qualquer sentido, e que na minha opinião nem a leitura do adversário era desculpa. O próprio Moon admite que é novo neste jogo, e que nunca leu um livro de poker na vida. Por isso já era de esperar que o seu estilo de jogo fosse muito neste sentido, o que complica bastante a vida de todos os 8 restantes jogadores. O homem não mostrou medo de fazer raise se achar que o adversário é fraco, tenha a mão que tiver. Isto custou-lhe uma final table bastante irregular, como é óbvio. Veio umas vezes cá abaixo. Depois teve a situação do Ivey, bad beat. A situação do Akenhead, bad beat. E lá trepou na famosa escada que se chama chip rank. Por isso mesmo achei estranho - depois desta subida à custa de alguma sorte, após Cada com 2-2 bater os valetes de Saout e eliminá-lo da partida - Moon dizer a Saout: "Jogaste melhor. A final devia ser entre nós os dois." Na minha opinião não merecia o 2º lugar, mas conseguiu lá chegar e os meus parabéns por esse feito.

Quanto ao head's up, foi muito bom. Aí o estilo de Moon adaptou-se ao que a situação exigia, apesar de os comentadores não pararem de dizer que ele não tinha experiência em head's up. Quanto ao Joe Cada... talvez tenha sido um bom vencedor da edição deste ano. Teve muita sorte, isso é inquestionável. No entanto gostei da sua abordagem ao jogo quando não estava "apertado" de fichas. Prova disso foi ter desistido de AQ e AJ frente a raises de Moon, o que é incrível - visto que em head's up as mãos ganham muito mais valor, AQ é uma mão muito forte nessa situação, e Moon estava farto de mostrar o seu estilo de jogo. Cada mostrou acima de tudo muita disciplina.
Tornou-se assim o mais novo campeão do mundo de poker, batendo o recorde do ano passado de Peter Eastgate. Pessoalmente, acho que a bracelete foi bem entregue. Ela não podia ter ido era para Moon; cujas tácticas desiquilibradas para controlar a mesa falharam redondamente ao longo de toda a final table.

Por fim, gostaria de salientar o respeito com que os dois jogadores se trataram ao longo de todo o head's up. Foi muito agradável de assistir; principalmente quando Cada vence a bracelete e vê-se rodeado de amigos aos pulos e berros; e faz sinal para parar. Coloca uma cara séria, e vai cumprimentar Moon dizendo: "Jogaste muito bem, estou a ser sincero. Muito bem."

Foi uma boa edição esta de 2009, com uma final table cheia de adrenalina e emoção. Venha a de 2010!

André Leitão

28.10.09

Poker, uma Metáfora da Vida

Não sei se algum teólogo de jogos já reparou nisto, mas é uma coisa que me apercebi desde o momento em que entrei para o mundo do poker e que até agora não me sentia com capacidade de falar acerca dela. O poker é sem sombra de dúvida, uma metáfora da vida. Jogar poker é como por momentos reencarnar uma segunda vez, e tentar sobreviver o maior tempo possível. Exagero?
Vamos por partes. A vida é feita de decisões, certo? Assim como o poker. Mas as semelhanças não param por aqui. No poker temos os bluffers; na vida temos os aldrabões. Como sempre, existem os bons bluffers e os maus; assim como na vida existem aldrabões que se safam e outros que são fechados na prisão mais próxima. Num jogo de poker existem pessoas que estudam e, por isso, tentam sempre jogadas perfeitas de modo a que o seu rendimento seja positivo; por outro lado, existem pessoas que acham que sabem jogar e culpam o azar do seu mau rendimento. Assim como na vida existem pessoas que sabem tomar boas decisões no seu quotidiano, e que por isso chegam mais longe. Estudam, são aplicadas e inteligentes. Na outra face da medalha, existem aqueles que levam a vida com demasiado facilitismo, e culpam os outros ou o azar de não conseguirem chegar tão longe como aqueles que estudaram e tomaram boas decisões. Mas é aqui que entra o factor mais semelhante entre a vida e o poker: o factor sorte. Ou seja, e remetendo para o caso da vida real, é possível alguém estudar e tomar boas decisões mas ter o azar de as coisas lhe correrem mal. O que equivale num jogo de poker a fazer uma leitura soberba do nosso adversário, dar call ao seu shove com JJ e ele mostrar 2-3 de espadas, e bater no flop sequência ou flush. Eu acho isto espectacularmente interessante.
E destes podemos retirar inúmeros casos que são uma metáfora do que existe na vida real. Como por exemplo, as stakes. Num jogo de poker, cada jogador escolhe a stake mais apropriada para si. Existem jogadores que se sentem bem em tomar muitos riscos, e existem jogadores mais cautelosos. Assim como na vida, existe quem arrisque muito ou pouco. Será benéfico? Isso dependerá da decisão em questão. E tanto na vida como no poker, tudo gira á volta das decisões. E no fim de tudo, a longo prazo, o que realmente irá importar será quem tomou o maior número de boas decisões.

Portanto, o poker poderá ser visto como um jogo dinâmico e social que faz uma caricatura da nossa vida quotidiana. É por isso que não existirá nenhum jogo que seja mais completo e exigente do que este.

André Leitão

NOTA EDITORIAL:
Peço desculpa a todos os leitores pelo tempo sem posts. Acontece que a faculdade pede muito, e o fato de treino estará sempre à frente do blog. No entanto, prometo que irei postar mais vezes, e com mais frequência. Não deixem de visitar este vosso espaço, que como muitos já dizem ser o blog de poker mais completo de Portugal.

11.8.09

Os problemas da Bwin

Antes de mais, é preciso dizer que o principal foco, força e perfeição da Bwin são as apostas desportivas; e não o poker. Devido a este motivo, a Bwin apresenta um razoável (ao invés de bom ou perfeito) software de poker.
Isto porque existem funcionalidades que estão constantemente a tentar ser melhoradas; como consequente se o caro leitor leitor fizer o download do software da bwin hoje terá um software melhorado em relação ao anterior. Por exemplo, as mesas dantes não eram redimensionáveis: factor esse que já foi corrigido. Mas o grande problema não é esse, afinal de contas, o jogador comum aplaude a evolução e melhoria de software. O grande problema é que existem fazes em que o software pára totalmente de funcionar. Quem está a jogar, principalmente SnG fica com o jogo parado. Quem se inscreve para SnG, o torneio começa sem o jogador e o dinheiro investido na inscrição desaparece... por enquanto.
Já passei duas vezes por estas falhas, e vi muita gente a exagerar no chat da bwin. Frases como "Ladrões" ou "A Bwin roubou-me o dinheiro" invadiram rapidamente a zona de conversa do site, já para não mencionar de insultos menos próprios para estas linhas que escrevo.
É que a Bwin não tem qualquer interesse em "roubar" o dinheiro dos seus clientes; e tudo o que aconteceu foi devido à falha do tal "imperfeito" software de poker. Portanto, para resolver este problema é muito simples: envia-se um mail (preferivelmente em inglês) para poker.en@bwin.com, e no dia seguinte terão todo o dinheiro de volta. São e salvo. Existem casos em que até foi dado mais do que o retirado. Portanto, a questão da bwin roubar dinheiro aos seus clientes está totalmente fora de questão, e tal afirmação é sem dúvida, um insulto a toda a equipa que trabalha para satisfazer ao máximo os seus clientes.
Por outro lado, é bastante frustante estar a jogar um SnG e estar a varrer a mesa, e de repente o jogo parar por erro do software. É inadmissível, e se a bwin deseja ser levada a sério na comunidade de poker é bom que corriga estes erros o mais rápido possível. A concorrência já não é forte que chegue?
Para dar a volta a toda esta situação, a Bwin decidiu oferecer um bonus de $250 dólares, que serão pagos em prestações de $10 dólares a cada 100 pontos poker ganhos pelos jogadores. Se é cliente bwin poker, para activar este bonus basta inserir P5 na zona de codigo de bonus no site.
E quanto a mim? Irei continuar na bwin, como sempre. Por muito que digam estas paragens não são frequentes, e sinto-me satisfeito com o apoio dado assim como os meios de pagamento.

19.7.09

Jeff Shulman e o seu Lixo

Para os que ainda não sabem, Jeff Shulman é um jogador de poker (também editor da revista Card Player) e encontra-se entre os 9 de Novembro da World Series of Poker de 2009. O que aconteceu, foi que Jeff afirmou que caso vencesse a competição, iria deitar a bracelete da WSOP para o lixo.
Atribuiram-se vários motivos para esta atitude, e o mais falado foi uma suposta venda de cobertura exclusiva da World Series para a revista rival: Bluff.
Jeff desmentiu esse facto, dizendo que a sua atitude deve-se essencialmente à mudança de gerência da World Series. Shulman afirma mesmo que os novos executivos deturpam a WSOP, ao contrário dos antigos que amavam o jogo e em que tudo girava à volta dos jogadores.

Quanto à questão da bracelete, afirmou mesmo que já tinha outros planos para a dita: possivelmente leiloar a bracelete revertendo assim o dinheiro para caridade.

Bom, eu sinceramente acho que o Jeff até poderá ter razão no que diz: é preciso defender a nossa paixão, que tem sofrido uma expansão enorme: isto arrasta mais dinheiro para a caixa registadora que é a World Series. Existem mais jogadores, mais contractos, mais dinheiro em jogo. Relembro ao caro leitor que a primeira edição da WSOP foi realizada em 1970, e continha apenas seis jogadores.

Por isso sim, acredito que o Jeff (melhor do que qualquer um de nós) saberá o que se passa na gerência da World Series; e que esteja com a melhor das intenções.

Agora, assumo o risco de falar por todos nós: se ele realmente fizer o que diz, será uma falta de respeito para todos os jogadores de poker no mundo que sonham em vencer tamanho prémio e prestígio. Não é todos os dias que se é campeão mundial, e poucos o conseguiram fazer mais do que uma vez. Atingir este feito e simplesmente renunciá-lo è uma falta de respeito a toda a comunidade de poker. Ganhar esta bracelete, é simplesmente uma experiência única na vida. É demasiado importante.

Existem maneiras de se lidar com as coisas, e se a WSOP está com má gerência não é deitar uma bracelete ao lixo, ou leiloá-la que irá mudar as coisas. É como tentar abrir uma porta com algo sem ser uma chave. Para quê, se sabemos que não irá resultar?

Não sei como isto irá acabar, agora só em Novembro. No entanto, é a primeira vez que torço para que um "November 9" não ganhe o título mundial. Seria mesmo muito mau.

Por André Leitão

2.2.09

European Poker Tour, finalmente em Português

Não é que o inglês seja um problema para mim, mas é excelente ver a televisão portuguesa (mesmo sendo TV Cabo) a investir num programa de poker. Isto é soberbo, pois expande o poker a nível nacional (ainda mais do que está a ser) e permite fazer algo que todos nós, jogadores de poker, temos defendido ao longo do tempo: o poker é um desporto. Claro que a sorte também está envolvida, mas não estará ela envolvida em tudo o que é desporto? No futebol, por exemplo, não é usual uma equipa praticar um futebol excelente e mesmo assim, perder o jogo. No poker acontece o mesmo, a sorte entra como factor; ainda que mínimo. Mas tal como no futebol, por uma equipa ter um deslize num jogo não quer dizer que perca o campeonato. E como a sorte não dura para sempre, as vitórias falam mais alto do que as derrotas.
O poker é um jogo de muita perícia, psicologia e observação; e já merecia ter um espaço na televisão nacional (já que o nosso país tem tido uma impulsão fantástica no que diz respeito a este desporto). Parabéns SIC, e muito obrigado em nome de todos nós.

2.11.08

Preconceitos, Jô?













No dia 7 de Outubro, Jô Soares recebeu no seu famoso programa Leo Bello. Para quem não conhece o Leo, é um médico formado pela UFRJ com especialização em imunologia pela Unicamp. Em 2003, durante um estágio na Alemanha inciou a sua aventura no mundo do poker. Em 2006 foi campeão do circuito Paulista e obteve um honoroso 5º lugar no ranking brasileiro de poker.

Ora, a entrevista até começou bem com umas pequenas noções e dados estatísticos acerca do poker. Mas Jô Soares cedo começa a usar a sua retórica quando ouve da boca de Bello, que o poker é considerado desporto. Frases como "Ouve muitas pessoas que se arruinaram no poker" ou "Acho estranho tratar o poker de desporto" interromperam muitas vezes as palavras de Bello e, quando Bello argumentava (e muito bem por sinal) a crítica de Soares, este rapidamente mudava de assunto. 
No final da entrevista deu o seu golpe final, mostrando um clip do filme "The Cincinnati Kid", onde o herói perde com uma mão e leitura supostamente fortes. As primeiras palavras de Bello foram, como é óbvio, "Isso não corresponde à realidade" referindo-se ao facto de um actor no filme usar dinheiro real para aumentar a sua aposta.
Será que esta posição de Soares foi propositada? Ninguém sabe. Mas o mais importante é que esta entrevista que aconteceu no brasil, deveria acontecer em breve aqui em Portugal. O problema é que o Herman José está na Roda da Sorte...
Leo defendeu brilhantemente o poker, distanciando-o do conceito típico de um jogo de azar. É caso para dizer que se esta entrevista fosse um debate, Leo ganharia com larga vantagem. Valeu!

PS: A entrevista encontra-se disponível na integra na secção de vídeos.

6.6.08

Recomendado: "Poker - Tudo o que precisa de saber sobre o mais popular jogo de cartas do mundo"

Foi com grande satisfação que durante a minha sessão regular de compras no Jumbo, dou de caras com este livro de poker. Engano, pensei eu. Um livro de poker em português?
Mas é mesmo verdade, o primeiro livro de poker em português já está nas bancas, a um preço bastante acessível: 11 euros. Os autores são Sérgio Lopes e Paulo Calado, e o livro conta com um prefácio de João "Jomané" Nunes e uma introdução de Annette Obrestad, campeã mundial de poker.

Não hesitei em comprar logo a minha cópia, e apesar de a maior parte do livro ser destinada a iniciantes, apreciei bastante a sua leitura. Está muito bem construído e organizado, e verdade seja dita: quem me dera que este livro tivesse saído na altura em que começei a jogar poker. Como se isso não bastasse, o livro possui ainda uma revisão biográfica sobre os melhores jogadores de sempre, uma lista de filmes acerca de poker e uma lista de livros onde o leitor poderá evoluir mais o seu jogo.

Em termos de conteúdo, volto a repetir, está tudo muito bem explicado. Desde as pot odds, a outs e a fundamental posição na mesa... tudo se encontra de simples acesso e compreensão. Confesso que apesar de ter lido tudo de Sklansky, houve uma coisa ou outra que percebi melhor neste livro.

A sua leitura é recomendada a todos os jogadores de poker portugueses.


André Leitão