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26.7.11

Conheça o Casino.pt!

Boas, leitores do Poker Kings! As coisas na Stars têm corrido de feição, apesar de ter sofrido recentemente uma dowswing tenebrosa. Mas hoje venho falar de outro tema: após assistir a vários filmes e visitar diversos casinos vejo que as grandes atrações até à não muito tempo eram tudo menos as mesas de poker. Lembro-me que o Casino do Algarve à 3 anos apenas tinha uma mesa de cash Hold'em no piso de baixo, à 2 anos já tinha duas mesas no piso de cima, e o ano passado já contava com 3 mesas e bem cheias estavam elas. Mas mais uma vez, isto é muio recente. O que atraía as pessoas aos casinos então? Bom, jogos como a roleta ou o blackjack por exemplo. Das slot machines não falo, pois não percebo nada acerca do tema. A pergunta seguinte que se gerou na minha mente foi lógica: será que estes jogos também são apenas sorte como muitas pessoas dizem? Assim pesquisei o tema e descobri que existem estratégias muito interessantes para gamblar neste tipo de jogos - e quem sabe, fazer um dinheirinho extra para a nossa conta de poker. Foi assim que descobri o casino.pt. Basicamente é um guia de casino, que disponibiliza aos jogadores bónus exclusivos. Estes bónus servem para ínumeras e excelentes salas de casino on-line; como a Betclic casino, o EU Casino, o Jackpot City Casino, o Europa Casino e muitos mais. Os bónus são de 1º depósito que vão desde os 100€ até montantes muito mais elevados - o que é bom para quem gosta de highstakes neste tipo de acção. O melhor de tudo é que os bónus não estão restringidos a um único tipo de jogo, estão todos disponíveis desde a roleta, slot machines, blackjack, poker, etc.
Mas agora vem a parte mais interessante - nomeadamente aos leitores deste blog: No casino.pt são oferecidos bónus de poker exclusivos para salas como Titan Poker, Everest Poker, Betclic Poker e muitas outras. Existem ainda bónus grátis para apostas desportivas em casas como a Betclic, Bet 365, Bet-at-Home, Unibet, Betway, etc. Estes são os bónus mais deliciosos, porque são grátis - sem necessidade de depósito - permitindo assim ao utilizador experimentar toda a magia dos casinos on-line.

O próximo post falará acerca de um génio do poker: Randy Lewis. Não vos soa a nada? E que tal "nanonoko" - o supernova elite da pokerstars e jogador mais rápido do mundo? Fiquem ligados, e boa sorte nas mesas!

André Leitão

26.3.11

Full Tilt Poker ajuda Japão

De modo a combater o terrível desespero que se instalou no Japão após o terramoto, tsunami e crise subsequente, a FullTiltPoker decidiu ajudar as vítimas desta catástrofe e pede a ajuda de todos os seus clientes.

Existem duas formas de contribuir:
Uma é disputando os torneios especiais FTP "Aid for Japan". O rake de cada jogador será doado ao fundo. A programação é a seguinte:


A segunda forma de ajudar será inscrever-se num "Torneio de Doação" que decorrerão às 18:30 ET do dia 27 de Março (amanhã). Mas atenção porque estes torneios não são reais, o seu buy-in será adicionado à causa e não serão disputados.

Todo o dinheiro arrecadado será dobrado pela FullTiltPoker e enviado directamente para a Cruz Vermelha do Japão.


Ajudem no que puderem, nem que seja apenas com $5. A causa merece.


Cumprimentos
André Leitão

9.1.11

Isildur1: A Lenda do Jogador Misterioso

Foi revelada esta noite a identidade do misterioso jogador que abalou as high stakes do poker on-line na FullTiltPoker. Viktor Blom é o jogador sueco que, num golpe inesperado, assinou pela Pokerstars para ser actualmente Team Pro.
Viktor Blom apareceu pela primeira vez na FullTilt Poker sob o nick "Isildur1" em Setembro de 2009, sendo que em Novembro do mesmo ano começou a jogar contra profissionais de topo como Tow Dwan, Phil Ivey, Brian Townsend, Cole Sout e Patrik Antonius. A 15 de Novembro os seus ganhos atingiam os 5 milhões de dólares.
De acordo com uma entrevista a Patrik Antonius, Isildur1 - ou digamos, Viktor Blom - tinha aproximadamente uma bankroll de $2000 em Janeiro de 2009. Ele construiu a sua bankroll até aos $1.4 milhões até Setembro e depois começou a jogar na FullTilt. O seu primeiro adversário no desafio "6 heads up $500/$1000 NLH" foi Tom Dwan, reconhecido como um dos melhores jogadores on-line de heads up. Jogaram simultaneamente em 6 mesas com cerca de 1 milhão de dólares em jogo a cada semana. No fim, Isildur passou pela maior run do poker on-line ganhando cerca de 5 milhões de dólares a Dwan. Depois desafiou Antonius para uma desforra, e venceu 1.6 milhões de dólares - não contando com os 5.98 milhões que fez em ganhos na FullTilt.

O único que foi capaz de parar Isildur1 foi mesmo Phil Ivey, considerado o melhor jogador de poker do mundo. Jogaram 3 mesas de Heads Up com blinds a $500/$1000, e passado 1 semana Isildur1 perdeu cerca de 3.6 milhões de dólares para Ivey, e afirmou que Ivey era sem dúvida o adversário mais difícil que já alguma vez tinha enfrentado.
Isildur também perdeu cerca de 3 milhões de dólares numa desforra pedida por Antonius, mas desta vez em Omaha - modalidade que Isildur admitiu faltar-lhe experiência.

Agora que a sua face é conhecida, o novo Team Pokerstars Pro terá sem dúvida os olhos do mundo sob o seu jogo.

André Leitão

30.12.10

Análise: Vídeo SNG Vip The Special One [Educa Poker]

Em primeiro lugar, gostaria de demonstrar todo o meu apreço e apoio à iniciativa Educa Poker. Pelo que percebi, é a nova face da antiga Escola de Poker - que continha uns vídeos soberbos de sits do João Barbosa - e que se mudou da Everest para a Pokerstars. Se não fosse o escasso tempo actual disponível, seria certamente aluno assíduo desta "nova" escola. Recentemente foi lançado um vídeo de um SnG especial, onde participaram os Team Pokerstars Pros Henrique Pinho e Nuno Coelho, assim como outros jogadores de renome portugueses como João Barbosa, David Abreu (Esmone) ou Catarina Santos. Os comentários do vídeo ficaram a cargo do próprio David Abreu que em conjunto com Luís Reis analisava os sits enquanto jogava.
Reconheço o talento e raciocínio lógico de Esmone no poker, no entanto existiram certas falhas que - propositadas ou não - não são boas para quem está a começar a jogar sits de uma forma séria e regular. A primeira foca-se, como é óbvio, de aquele ser um SnG especial onde todos - ou talvez a maior parte - dos jogadores se conhecem bem. Daí existirem jogadas específicas que apenas se aplicam naquele caso em particular. Ora, num SnG dito normal não se conhece ninguém da mesa - em príncipio - o que torna dificil, por exemplo, dar 3 bet-shoves com 88 ou 99 ao SB no botão. Esmone chama a atenção no vídeo para este facto, e fá-lo muito bem. A segunda prende-se com um comentário de Esmone a uma jogada do "Special One" TMFS11 em que este dá raise de 3 BB's no botão e Esmone na SB opta por dar shove all-in com pokect middle pair - caso a memória não me falhe. TMFS11 dá fold após segundos de raciocínio, e Esmone refere que se ele quisesse dar raise com intenção de foldar teria de ter raisado 2.5 BB's e não 3. Ora com todo o respeito já prestado acima, é aqui que eu acho que está o erro. Nunca se devem alterar apostas destas consoante as nossas mãos, pois isso torna o nosso jogo explorável. O mais correcto será raisar sempre a mesma quantia, seja ela 2.5, 3 ou 3,5 blinds. Deception é um conceito fundamental, quer estejamos a jogar sits, mtt's ou cash games. Assim como não concordo - e isto nada tem haver com a aula do Esmone - com o min-raise a não ser quando as blinds já atingiram um nível astronómico e um raise standart já representa uma boa percentagem da nossa stack. Vamos ser sinceros, é uma má jogada: estamos a permitir que os outros jogadores vejam um flop barato e praticamente estamos a convidar as blinds a juntarem-se à festa, e muita EV é perdida a fazer coisas desse tipo.
O terceiro e último reparo que tenho a fazer é relativo ao conceito de ROI. Quando Esmone e Luís Reis num fabuloso diálogo acerca de psicologia no poker falam acerca da variância incrível que existe nos SnG, Esmone diz: "Dou um exemplo de um dia que estava a fazer umas sessões de SnG's - estava a jogar 30 ao mesmo tempo - e na primeira sessão fiz um ITM e na sessão a seguir em 30 tive um ROI de 110%." O conceito de ROI está aqui muito mal representado. ROI significa Return on Investment é um conceito que pretende avaliar o lucro tirado dos SnG's pondo a variância de parte. É considerada a melhor maneira de vermos se realmente somos bons jogadores ou não, e calcula-se dividindo o lucro puro (lucro total - total buy-ins / Custo total). Mas acontece que este conceito apenas funciona com amostras enormes e não com uma amostra tão curta como a de 30 SnG's. O mínimo é considerado por muitos autores como sendo 1000 SnG. Aí sim, ao fim desses 1000 SnG calcula-se o ROI (que é dado gratuitamente em sites como o sharkscope ou topshark). E agora perguntam vocês: muito bem, mas como sei se o meu ROI é bom ou mau? Um bom jogador de sits procura um ROI entre os 9%/11%. Podem ver agora o estranho que é ter um ROI de 110%? Como é óbvio, Esmone referia-se apenas a essa sessão de sits e acabou por passar uma mensagem muito errada de como utilizar o ROI. Como pode isto ser grave? Muitos iniciantes podem jogar 30 Sits e a coisa corre bem, vêem um ROI astronómico e acham-se os melhores do mundo quando na verdade não o são. Para vos dar um exemplo, o André Coimbra - acho que todos concordamos quando digo que ele é um dos melhores jogadores on-line portugueses - tem actualmente um ROI de 2% (via sharkscope).

No entanto, re-afirmo mais uma vez que os professores são excelentes e aula recomenda-se sem dúvida. Estou certo de que os próximos vídeos irão ser mais cuidados no que toca a estes enganos, e continuarei a seguir sem dúvida toda a iniciativa - à qual, aproveito desde já, para dar todos os meus parabéns a todos os envolvidos.

VER VÍDEO:
- PARTE 1 -
- PARTE 2 -
- PARTE 3 -

Cumprimentos,
André Leitão

5.9.10

Mas afinal, o que significa ser Profissional?

Hoje em dia, os profissionais de poker enfrentam os mesmos dilemas que um jogador de futebol, actor ou músico famoso. Com a entrada do poker televisivo, da expansão das salas de poker on-line e com a vitória de Chris Moneymaker nas WSOP de 2003 o poker expandiu-se por todo o globo levando a todos o grande sonho de serem jogadores vencedores. De repente, o Rio viu a sua folha de inscrições encher astronómicamente com a participação de jovens de óculos de sol, inspirados por a vitória de Moneymaker e pela cena final de Rounders - A Vida é um Jogo. E num abrir e fechar de olhos, o que era fácil para alguns tornou-se dificil - e o que era dificil para outros tornou-se fácil. Uma reviravolta que em nada afecta quem lê isto, somos jogadores de poker e estamos habituados a reviravoltas ou não?

Mas o que faz de alguém ser profissional neste jogo? Teremos bem assente esta definição? Por definição do senso-comum, o profissional é aquele que faz algo que poucas pessoas conseguem fazer: é um priveligiado. Tem um dom em algo específico que usa para seu benefício, tendo assim vantagem sobre outros. E isto aplica-se fora do poker. Peguemos no caso do Mourinho por exemplo: um verdadeiro profissional. No entanto, todos sabemos que esta definição é incoerente ou, digamos, incompleta tendo em vista o modo como é empregue e utilizada por nós e pelos media.

Passemos para o poker: quantos profissionais conhecemos - e de salas grandes - que têm a conta negativa, que mostram incoerências no seu jogo, que mostram perdas abismais? É que parece que ultimamente, a missão dos media é simplificar este jogo - passando a imagem de que é algo simples, e "dinheiro garantido" - e à profissionais que levam isto à letra. Variância à parte, que todos já sabemos como isso funciona: mas então um profissional não tem de mostrar resultados positivos? Não tem essa obrigação, para se superar a si e provar que merece tal distinção perante os outros? Pegando novamente no caso de um treinador de futebol de alto nível - se ele em meia época perder todos os jogos... é despedido como todos os outros. É profissional, está a receber por o ser e se não mostra resultados... perde a distinção. Isto não acontece no mundo do poker profissional. Porquê? Porque neste mundo a imagem vale mais do que o dinheiro. Chris Moneymaker transformou $39 em milhões, ganhou contrato com a PokerStars e tornou-se jogador profissional. E depois disso, como está o seu palmarés? 0. Ora, estamos em 2011 ele ganhou a "lotaria" em 2003 e é só fazer as contas. Viaja "gratuitamente" para as Bahamas para jogar o PCA, joga todos os anos o Main Event das WSOP e roda todos os LAPT. Gus Hansen está a perder $2.300.000 desde o inicio deste ano, é a variância que tem culpa aqui? Não me parece.
Focando-nos mais em termos de imagem, Phil Helmuth por exemplo - que é patrocinado pela Unibet - é chamado aos programas de cash game não pelo seu jogo, mas sim pelas suas "explosões" quando a mão não resulta a seu favor, ou quando algum jogador segundo a sua concepção não fez a melhor jogada. Em todos estes programas (Poker After Dark, The Big Game, High Stakes Poker, etc) Helmuth sai sempre com ganhos negativos ou mínimos - ele próprio reconhece que o cash game não é a sua melhor vertente. No entanto, na vertente de torneios ninguém pode questionar a sua profissionalidade: as 11 braceletes ganhas nas WSOP são provas disso. O que eu quero salientar no exemplo do Phil, é que apesar de ele não ser um bom jogador de cash é o primeiro na lista "Jogador a serem chamados para o programa de segunda".
Estes são casos de pessoas que jogam poker em limites altíssimos, e são considerados profissionais naquilo que fazem. Mas muitos deles, não apresentam resultados dignos de tal distinção - corrompendo assim a pura definição de "profissional". Como sempre, existem excepções - como o caso de Phil Ivey e de muitos outros - mas deixemo-los de parte, e concentremo-nos neste problema especifico.
Para mim, alguém que jogue em limites médios e que tenha uma boa média de $+ por mês é um profissional de poker. E para vocês? Capacidade versus Imagem, qual escolhem? O que é para vocês um profissional de poker? Dando previamente a minha opinião, deixo aberto o debate.

por André Leitão

4.8.10

Crítica: O Mau Comportamento nas Mesas

Toda a gente fala em fair-play, aliás, recordo-me que há uns tempos atrás até era moda: crianças entravam nos jogos com bandeiras enormes a dizer fair-play, em certas jogadas os jogadores devolviam a bola ao adversário e por aí adiante. O fair-play (jogo justo, ou jogo limpo em tradução livre) é uma componente que todos acham ser essencial no desporto, mas que raramente marca a sua presença: esta é a verdade, todos o sabemos. E é pena, pois neste conceito tão renegado como é o de fair-play encontramos valores tão importantes como a disciplina, auto-controlo e respeito pelo adversário.

Como devem imaginar, todo este conceito tem uma passagem directa para o poker. Na sua enorme - e mais conhecida - vertente de torneios, considero o poker como sendo um desporto: e como tal, a vertente do fair-play deverá sempre estar presente. Mas como dito acima, esse é um sonho que dificilmente se acabará por realizar. Isto porque o poker é um jogo dificil mas atraente, que custa bastante a perder quando achamos que dominamos o jogo.

Para fintar as ilegalidades, vamos fingir que somos americanos a partir desta altura do artigo, pode ser? Quem não tem nos seus jogos caseiros, um amigo que desata a barafustar com tudo quando não tem sorte (ou simplesmente joga mal)? Um amigo que atira com as fichas quando perde, que acusa os outros de não saberem jogar tão bem como ele, que ao ser rivered paga a aposta final apenas para confirmar que está batido e depois se põe a explicar em agonia com os termos técnicos que conhece como foram boas as suas jogadas mencionando antes de cada ponto final a sorte inexplicável que o vilain teve no river? Quem não tem um/uns amigos desses?

Passemos para os casinos - aqui já podemos ser portugueses novamente - onde a situação é igual ou pior. Vejamos uma carta de uma dealer profissional brasileira de Texas Hold'em à revista FLOP:
"Ser dealer não é fácil. Nós somos os culpados, azarentos e tudo e mais alguma coisa. Somos amados e odiados simultaneamente. Às vezes, somos lentos ou apressados. Não temos o direito de ficar cansados nem de cometer qualquer erro. Todos podem perder a calma, e mesmo com todo o cansaço psicológico, somos os únicos que não podem pôr cá fora todo o stress mental. Ser uma dealer mulher é mais complicado, ainda. Mulher bonita, que trabalha à noite com jogo é lamentavelmente mal vista. E, numa fracção de segundos, os meus quatro anos na faculdade de jornalismo e mais alguns meses a estudar na Europa são rapidamente... 'foldados'."

É certo que esta carta representa, acima de tudo, o desabafo de uma dealer feminina no mundo do jogo brasileiro. No entanto, contém em segundo plano todas as acções dispensáveis e incorrectas que os jogadores têm na mesa.

As pessoas entram em stress cedo demais, e como grande parte dos jogadores que têm este tipo de atitude são inexperientes, julgam ter nuts quando não o têm. O poker é um jogo de percentagens, não de sorte. Costuma-se dizer que "a sorte é provocadora, atira-se a todos mas não é fiel a ninguém". No jogo que eu pratico, divulgo e defendo; a "sorte" representa a minha experiência e conhecimentos - e nunca gira à volta de amuletos e superstições.

De que serve estar numa mesa de poker, e estragar todo o clima de boa disposição que existe barafustando com toda a gente, culpando toda a gente... quando na verdade se calhar os culpados somos nós? Por tudo isto, considero este tipo de atitudes intoleráveis, para além de que tornam a pessoa mal vista.
É certo que existem coolers, e situações em que estamos muito à frente e acabamos por perder a mão: mas ninguém disse que o poker era um jogo fácil ou, como o ei de pôr, previsível. É importante entender que se trata de um jogo a longo prazo, e que por isso, o que realmente interessa não é a bad beat que sofremos: mas sim ter a capacidade de analisar e saber se a jogada foi boa ou não - independentemente das cartas que cruelmente foram colocadas na mesa. E após isto, colocar uma última questão: será que vale apena insultar outra pessoa, culpar a sorte e ficar mal visto por causa de uma mão de um jogo imprevisível?

por André Leitão


Este artigo está em discussão nos seguintes fóruns:
PokerNews
PokerPT
Donkr

1.8.10

Esperança Matemática

Imaginemos a seguinte situação: o jogo da cara ou coroa; quando vencer ganho uma ficha, quando perder perco outra ficha. Dado que em cada jogada tenho 50% de probabilidades de vitória, a longo prazo o meu resultado económico tenderá para o empate. Simples e intuitivo! Diz-se então que o jogo é equitativo, ou seja, o seu rendimento (esperança matemática) é igual a 1.

Em termos matemáticos, o rendimento (R) de uma aposta é definido como o produto entre a probabilidade (P) do evento em que se apostou e o número (n) das apostas em que se ganhariam se aquele evento se verificasse (ou seja, se se ganhasse): R = n x P

Um jogo cujas apostas tenham sempre um rendimento maior do que 1 diz-se "vantajoso" porque a sua prática permite receber, a longo prazo, uma importância total superior ao montante do dinheiro dispendido. Quando o rendimento é igual a 1, estamos perante um jogo "equitativo" - é paga exactamente a mesma quota calculada e, a longo prazo, as quantias ganhas equilibrar-se-ão com as perdidas. Um jogo cujas apostas têm sempre um rendimento menor do que 1 diz-se, enfim, "desvantajoso" porque a sua prática vai permitir receber, a longo prazo, uma quantia total inferior ao montante do dinheiro dispendido.

Passemos à frente.

Joguemos outra vez cara ou coroa, mas desta vez a moeda não é de todo equilibrada: o meu lado é mais leve e sai apenas 1 vez em cada 4; decerto, não me convém jogar, porque para mim se trata de um jogo claramente desvantajoso (mas vantajoso para o meu adversário). Porém, desvantajoso até que ponto? A cada 4 lances recebo 2 fichas e pago 4, com um saldo negativo de 2 fichas, igual a uma média de meia ficha perdida por lance. Em termos de rendimento: R = 0,25 x 2 = 0,5. Um verdadeiro desastre!

Suponhamos que um espectador benevolente decida oferecer em cada jogada uma ficha ao vencedor; então, quando vencer recebo 3 fichas e quando perder continuo a perder 2 e o resultado económico melhora, mas mantém-se negativo: perco ainda 3/4 das fichas por jogada, com R = 0,25 x 3 = 0,75.

Se agora o espectador decidir oferecer ao vencedor 2 fichas por jogada, a situação regressa ao empate: por cada 4 jogadas recebo e pago 4 moedas.  O jogo volta a ser equitativo e a minha decisão de jogar ou não torna-se matematicamente indiferente (R = 0,25 x 4 = 1).

O espectador está a divertir-se imenso e decide aumentar os seus donativos: a cada jogada oferece 4 fichas ao vencedor. Neste ponto, o jogo torna-se vantajoso também para mim: 1 jogada em cada 4 recebo 6 fichas  enquanto continuo a pagar as minhas 4. O saldo é, portanto, positivo em 2 fichas por cada 4 lances, igual a 3/2 fichas por lance (R = 0,25 x 6 = 1,5).

Em substância, o jogo em si coloca-me em desvantagem, mas um factor externo (o espectador) pode drasticamente mudar o meu rendimento. Não se trata de um discurso ocioso, o da esperança matemática é um dos conceitos fundamentais do poker e cara ou coroa é apenas uma simplificação,  para tornar evidente o que estamos a tratar. A minha moeda desiquilibrada será a minha mão com as suas probabilidades de vitória e o espectador benevolente será o pot, as fichas jogadas até aquele momento.

por Dario De Toffoli

29.7.10

A Leitura do Adversário

No main event do Campeonato Italiano, que teve lugar em San Remo, em Maio de 2007, aconteceu-me jogar uma mão de um modo excepcionalmente corajos, fiando-me numa leitura de uma jogada do meu adversário que, colocada num contexto psicológico multinível, explica o efectivo sucesso da minha jogada.
Na mão em questão: com blinds a 150/300, encontro-me na BB com 44 e, depois de um fold geral, o jogador sentado no botão - um austríaco muito forte com o qual me cruzei outras vezes no circuito europeu - faz raise de 800 fichas e eu faço call. No flop sai KdQdJh e eu faço check com a intenção de dar fold - caso tivesse de enfrentar uma continuation bet do meu adversário; considerando que atacar logo, quer apostando à primeira quer um check-raise, é uma jogada que, fora de posição, considero demasiado arriscada - sobretudo nas fases preliminares dos torneios.
Inesperadamente, também o meu adversário faz check e no turn sai um 5 de copas, que oferece à board 2 flush draw possíveis. Eu aposto 1200 fichas porque, se o meu adversário - a quem doravante chamarei de Michael - se sentiu demasiado fraco para apostar no flop - fazendo o pot crescer - com uma mão do tipo 77, 88 ou A9; então terá igualmente receio de enfrentar uma aposta no turn com uma board que oferece 3 boas overcards ligadas a dois flush draws possíveis. Em breves palavras, numa situação parecida, um bom jogador como ele jamais sonharia fazer call com uma mão semelhante e tendo ainda de enfrentar outra ronda de apostas e uma série de cartas assustadoras possíveis no river em enorme quantidade.
Inesperadamente, perante a minha aposta, Michael faz raise no turn de 5 mil fichas. Provavelmente, julgando-me um jogador muito astuto e imprevisível e tendo uma mão não suficientemente forte para poder arriscar-se a enfrentar um check-raise no flop, terá planeado esperar por uma provável aposta minha no turn para poder fazer um raise substancial, que me pudesse fazer desistir da minha intenção de ganhar o pot sem uma mão digna.
O raise foi, de facto, fulminante - derivando obviamente de uma óptima leitura intuitiva acerca do facto de não ter uma mão suficientemente boa para ver o meu raise de 5 mil fichas, considerando também que a minha stack efectiva antes de eu jogar a mão era de apenas 12500 fichas!
Todos estes elementos me convenceram de que efectivamente, me encontrava numa daquelas mãos em que, entre 2 jogadores muito fortes, o "pensamento-psicologia" multínível é dono e senhor. Por conseguinte, um re-raise all in meu de mais de 6700 fichas, mesmo sendo uma quantia, digamos, bastante exígua, era suficiente para obrigar o meu adversário a fazer fold à sua mão marginal - coisa que pontualmente aconteceu, tranquilizando-me por ter escapado ao perigo de me encontrar all in contra uma sequência nuts.

por Dario Alioto

14.7.10

Como Jogar um Heads Up - Parte 2 de 2

Mas como devemos jogar quando temos jogo? Como se jogam pares altos, cartas altas a partir de 7J, 8Q, 9K ou Ax e suited connectors? Com cartas devemos fazer raise quase sempre - e por quase sempre, me refiro a 2 em 3 vezes - e a vez que não faço é para fazer trap. É aqui que se vê outro factor determinante de um heads up: a agressividade. Devemos ser mais agressivos do que o habitual. Não é preciso ser super agressivo, mas apenas para pôr travões no villain - caso contrário irá comer-nos vivos.
Quanto aposto? Nunca existe uma regra para isto, mas um raise de 1 a 2 BB's é o suficiente. E agora pergunta o caro leitor: "Não posso dar um raise de 3 BB's?" Poder pode, a situação é que se o villain dá call o pot torna-se gigante e imprevisível. O importante a ter em conta aqui, é que o caro leitor raisa 3 BB's e o villain paga vai ser bastante dificil de o tirar da mão. Sobretudo, é importantíssimo ter em conta o tamanho do pot na altura de apostar. As suas apostas devem ser proporcionais ao pot que está a jogar. Os jogadores que não tenham em conta o pot na altura de apostar podem ser bastante exploráveis, pois estão a permitir-nos ir ver cartas até ao river de uma forma bastante barata.

Se em pré-flop raisamos 1 BB, uma aposta simples no flop será o suficiente. No entanto, se raisámos 2 BB ou mais deveremos fazer uma continuation bet de pelo menos 2 BB ou mais - isto porque não devemos deixar transparecer a imagem de que falhámos um flop com uma aposta fraca. Esse erro poderá resultar num call do villain, e depois de um raise no turn do villain. E agora? O caro leitor perdeu a vantagem da posição, porque é você agora quem está a pensar: "Este tipo não tem nada, mas como posso dar call com esta mão?"

O que acontece se o villain dá re-raise em pré-flop? É sinal de que tem uma mão muito boa e o caro leitor deverá preparar-se para dar all-in caso dê call ao re-raise. Ele estará na BB com boas cartas, mas continua com um problema: a posição. Quando o flop sair, ele irá fazer uma continuation bet de tamanho médio.  Mostrou força no pré-flop e quer continuar a mostrá-la no flop, aproveite este facto. Se conectar bom jogo no flop, deixe-o fazer o trabalho todo e limite-se a dar call para no river anunciar all-in directo.

Conclusão: A partir da SB temos posição, e praticamente garantida uma vista de olhos no river - por isso pode ser mais agressivo do que o habitual.

Boa sorte nas mesas!

por JCarreño

10.7.10

Como Jogar um Heads Up - Parte 1 de 2

Mano a mano, cara a cara. A hora da verdade. A boa notícia é que se o caro leitor se encontra nesta situação, é porque já garantiu algum dinheiro relativamente ao do buy-in. A má notícia é que um heads up não se pode ensinar a jogar. "Mas... e agora?" perguntam vocês. Calma, eu disse que um heads up não se pode ensinar a jogar, e é verdade. Mas o que se pode ensinar é a como não cometer erros básicos. Vamos lá ver uma coisa, existem autores que têm tabelas de heads up... tabelas! Incrível, isto é o cúmulo! Mais vale colocar uma máquina a jogar por nós, não? O heads up joga-se contra outra pessoa. Sim caro leitor, por detrás do software e de todos os números existe algo com vida. Está a jogar contra uma pessoa, é preciso ter muito bem em conta este conceito.

Posto isto, a primeira dica que posso dar é que o mais importante é jogar o heads up sempre com posição. A primeira vez que cheguei a um heads up importante perdi porque não tive em conta esta premissa. Fiz o segundo melhor par, e ia apostando e o villain sempre a dar call até que no river deu all-in e eu tive de foldar. Ele mostrou o melhor par da mesa desde o inicio, ou seja, eu estava a fazer-lhe o trabalho todo. Este tipo de jogadas são as que se devem evitar a todo o custo. Sem posição estamos a apostar às cegas.

Num heads up a SB (small blind) é o botão, ou seja, o jogador que fala por último. Quando o caro leitor joga em boa posição (do botão) o jogo é de caras, pois tem muita mais informação para tomar as suas decisões e sobretudo porque cada aposta que fizer terá o dobro de valor emocional. O mais normal é que nem a SB nem a BB tenham jogo, por isso a BB dá check (jogada prudente) e o SB aposta: o que passa pela cabeça da BB é: "Como vou pagar esta aposta se não tenho nada?". A BB sabe que a probabilidade de a SB também não ter jogo é muita, mas: "E se tem jogo?". E acaba por concluir o seu raciocínio da seguinte maneira: "O melhor será foldar e esperar por jogo". Temos de explorar ao máximo este facto, portanto iremos apostar sempre da SB.

Quando jogamos sem cartas (tipo 83, 92, etc.) devemos fazer sempre call por muito má que seja a mão, pois temos odds favoráveis (3:1) para ir ver um flop. Se o amigo da BB clicou no botão do raise, as coisas mudam e já teremos de dar call com algum tipo de jogo (em geral, pares de mão ou cartas altas a partir de 7J, 8Q, 9K ou Ax. Os suited connectors são uma excelente opção a jogar desde a SB; isto porque a boa posição se bem usada permite-nos ver cartas grátis e chegamos até ao river com custos mínimos, para além de que este é o tipo de mão que fará o caro leitor ganhar com mais frequência.

Uma mão standart em heads up será algo do género:

Pre flop
SB call
BB check

Flop
BB check
SB bet (1xBB)
BB fold

"E se o amigo da BB nos dá call?" Exploramos a vantagem da posição e vemos o river gratuitamente se isso nos interessar. "E se no river ele aposta uma BB?" Bom, olham para essas coisas rectangulares com desenhos e números e decidem. Normalmente com um segundo par é rentável ver este tipo de apostas.
Chegando a este ponto, o caro leitor deverá estar a pensar: "Que maneira boa para dar fichas ao adversário." A ideia aqui é que o villain se vai habituar a dar call às suas apostas, ou seja, consegue-se um padrão de actuação. Quando tiver uma mão como top pair jogará da mesma maneira, no river apostará forte e irá ver um monte enorme de fichas a vir na sua direcção.

Tem de se encontrar um padrão de actuação, isto é o mais importante. Convém a um bom jogador jogar aqui muitas mãos. Não é conveniente nem lucrável a um bom jogador meter-se all-in na segunda mão do heads up. A um bom jogador, não é interessante entrar num confronto de raises nem re-raises sem sentido nenhum. Toda a acção por nós feita deverá ter o intuito de obter mais informação acerca do jogador contra quem estamos a jogar. "E quando apanho o padrão de actuação dele?" Então, ajusta o seu jogo ao jogo dele.

Uma característica muito importante no heads up é a capacidade rápida de análise, porque temos de ser rápidos em descobrir a maneira de jogar do villain. Uma vez que sabemos como funciona o nosso rival, aproveitamos essa informação ao máximo: se ele gosta de dar raise, o caro leitor espera jogo. Se o amigo folda a cada raise seu, bem começa a dar raise até que se aborreça. Quando ele der call, soa alarme total e dá-se fold à mão para começar a jogar novamente em raise. Tudo isto tem a sua base matemática, mas é mais fácil aprendê-lo a jogar do que analisando números.

por JCarreño

9.7.10

Novidades Fantásticas na FullTiltPoker

Todos sabem - e atendendo ao visual que todo o meu blog tem tomado ao longo destes anos - que a FullTilt Poker é a minha sala de eleição para a prática do poker on-line. E como tal, satisfaz-me contar-vos os melhoramentos que este excelente site de poker tem feito.
Vou começar não pelo primeiro, mas sim pelo que me satisfaz mais: os badges de jogador. Agora cada jogador da FullTilt exibirá bagdes (crachás) no seu avatar, que mostrarão o afinco que o caro leitor tem pelo jogo aos seus adversários. Existem 4 badges, o badge de True Poker Player, o badge da Academia FullTilt, o badge do Iron Man e o badge do Rush Poker. O que eu acho de maravilhoso nestes badges, é que tornam toda a experiência de poker no site muito mais gratificante e muito menos monótona. E como estão ao alcance de todos os jogadores - já explicarei a condição para ganhar cada badge - é uma forma fantástica de fazer com que os jogadores saiam da sua área de conforto e experimentem coisas novas que o site tem para oferecer para poderem mostrar com orgulho os badges que já conquistaram.




Mas como se conquistam os badges? Vamos lá saber:

- Badge de True Poker Player: este badge é, digamos, uma prenda da FullTilt pois apenas é necessário jogar jogos a dinheiro no site. Portanto, este é um badge comum que toda a gente, ou pelo menos a maioria, terá posse.
- Badge de Academia FullTilt: na minha opinião, este badge é o mais interessante. Acreditem em mim quando digo que este badge irá melhorar bastante o nível de poker no site (infelizmente para mim, visto que vou ter mais trabalho nas mesas), pois só o conseguirá exibir no seu avatar quem tiver completado a 100% 3 desafios da academia no último mês.
- Badge de Iron Man: este sempre existiu, indicando que o jogador está classificado para qualquer nível do desafio Iron Man desse mês.


- Badge Rush Poker: este badge será conquistado a quem completar 50 FTP a jogar rush poker no mês passado.


Estas novidades são, na minha concepção, fenomais e irão sem dúvida aumentar a actividade no site (não é que seja preciso) todos os meses.

Outro melhoramento no software tem a ver com a visualização. Tudo bem, o novo modo está muito melhor do que o classic: no novo consegue-se filtrar ao máximo os jogos em que pretendemos jogar, enquanto que no classic é tudo uma salgalhada (turbos para aqui, hyper para ali, lá pelo meio encontra-se 6max normal). No entanto, o novo modo de visualização do lobby principal ficou muito maior, quase o dobro do classic. Acredito que isto seja complicado para quem abre algumas mesas, e não possui um monitor razoavel - entre outras chatices. Então, foi criada agora a mini visualização: que praticamente é o novo lobby com o tamanho do classic. Nada a apontar, simplesmente perfeito e um melhoramento que já era de esperar.


Estas são na minha opinião e interesse as novidades mais bombásticas, a que se juntam um novo modo de abertura automatica de lobbys de torneio (ao bom velho estilo de table ninja); torneios cashout em que se troca as fichas actuais por dinheiro ou até mesmo a opção run it twice em cash games, em que o turn e o river são virados duas vezes por acordo dos dois jogadores.

Aproveitem todas estas features fazendo download do software FullTiltPoker directamente aqui do blog Poker Kings, na página inicial em qualquer um dos banners. Boa sorte nas mesas!

por André Leitão

21.6.10

O Ataque às Blinds

Fala-se muito acerca de como roubar blinds, mas como é que realmente se faz este move?

Para roubar as blinds é necessário estar em late position - preferivelmente no botão - para evitar a desagradável surpresa de alguém ficar com vantagem posicional em relação a nós.

Também é preciso um bom ou promissor jogo para se roubar as blinds. Veja uma coisa, a definição ortodoxa do roubo de blinds dita que: "Quando estamos em late position e todos foldaram até nós, deve-se fazer raise para ganhar imediatamente o pot sem ter a necessidade de ver um flop." Eu considero isto errado: se vamos jogar de late position é porque temos cartas para o fazer. Não posso (ou não deveria) tentar roubar as blinds com 8-2 offsuit, isto tem de ficar bastante claro.

Muitos iniciantes começam a ouvir ou a ler em fóruns acerca de roubar aqui e roubar ali; que é preciso roubar, que não se pode ficar passivo e por aí fora. E depois o que acontece? As pessoas não percebem do que se está a falar, e lá vão elas para  as mesas já com o rato em cima do botão de raise sempre - ou quase sempre - que estão no botão. Portanto, é importante que este conceito fique bem claro: para roubar preciso de ter jogo. Outro conceito importante é compreender que à medida que o torneio avança o range de mãos para roubar as blinds incrementa, combinada com a nossa stack e imagem na mesa.

É importante também o caro leitor compreender que, nos primeiros níveis de um Sit n' Go não compensa roubar o pot; isto porque se está a arriscar muito dinheiro em comparação ao lucro esperado. Se ganhar, ganha uma miséria e se perder ficará com o torneio comprometido. Esta questão é importantíssima. No entanto, existem situações em que se poderá roubar nos primeiros níveis: mas isto é algo que apenas a experiência o consegue ensinar. No entanto, não se deixe levar muito pelo roubo das blinds: ela é apenas uma jogada de recurso, nunca um fim.

Por exemplo: Estou com A8 no botão e tenho uma imagem ultra tight, tenho o dobro da média de stacks, ninguém aposta e quando chega a minha altura de falar subo para 3BB (3 Big Blinds). A small blind folda e a Big Blind faz call!
E agora? Bem, agora vem a segunda parte da jogada que é a mais interessante: caso tenha alguma coisa ou não aposto 1/2 do pot; nem mais nem menos. Temos vantagem posicional e devemos utilizá-la, no entanto tem de fazer uma aposta coerente em relação à aposta feita pré-flop. Não posso pagar 3 BB em pré-flop e depois fazer uma aposta simples para ver o que se passa ali. Para isto, mais vale enviar um ramo de flores ao seu adversário com um cartão a dizer: "Desculpa ter-te tentado roubar." Na situação inversa, 3BB + 1 será o suficiente para mostrar ao seu adversário que tentou roubar mas que falhou.
Bem, continuando a mão: aposto então as 3BB no botão com a clara intenção de roubar, e a Big Blind faz call. Sai o flop, a BB dá check e eu aposto 1/2 do pot. Neste momento da jogada, poderão ocorrer 3 situações distintas:

a) O adversário folda - a nossa jogada resultou, mas já deu para ver que este nosso adversário não nos dará facilmente o seu dinheiro. Da próxima vez teremos de ser mais selectivos com as nossas cartas.
b) O adversário dá call - aqui, caso ele dê check no turn poderemos ver uma free card e esperar para eventuais acontecimentos no river. Se o adversário der check novamente, apostamos 1/4 do pot para descobrir onde estamos na mão. Caso ele der raise, é fold nosso automático.
c) O adversário dá raise - missão abortada, acabou-se aqui a mão. É agora que muita gente diz: "Ah, mas ele pode saber que estou a tentar roubar o pot. O mais certo é ele não ter nada." Claro, claro... e se a minha avó fosse o meu avô, e o meu avô fosse a minha avó tudo estaria ao contrário - mas não está. Se o villain está a fazer bluff, parabéns para ele pois leu-nos perfeitamente. Se o caro leitor der call em 20 mãos dessas apanhará apenas 2 a 3 bluffs - o que torna a jogada de dar call muito, mas mesmo muito má.

É por isso que devemos ter sempre um jogo promissor para roubar as blinds, porque isso vai ser importante para nos defendermos caso aja contra-ataque.

É importante entender que nos limites baixos, as pessoas não fazem jogadas elaboradas - e as vezes que o fazem é por engano. O poker não é um jogo de egos, se o caro leitor tentou uma jogada e não a conseguiu esqueca-a e ponto final. Concentre-se na mão seguinte, e deixe as rivalidades em paz para poder praticar o seu poker a 100%.

por JCarreño

20.6.10

Jogar Micro Stakes - Parte 2 de 2

Visto que na parte 1 do artigo expliquei as estratégias que não funcionam nas micro stakes, vou agora mostrar-vos algumas das estratégias que funcionam neste tipo de limites.
Uma arma muito forte que o caro leitor tem, é a capacidade de controlar o tamanho das apostas. Como os jogadores ainda não raciocinam muito nas jogadas e não têm uma leitura muito boa do jogo, você pode apostar forte quando tiver bom jogo e apostar pouco quando está em draw - o caro leitor consegue manipular o pot conforme o tamanho que dá às suas apostas. Por isso utilize bem esta arma que as micro stakes lhe disponibilizam, para manipular os pots com os tamanhos das apostas. Num jogo mais avançado, isso irá continuar a acontecer - mas é muito mais complicado contra adversários fortes. Como aqui estamos a jogar contra iniciantes, essa tarefa não é muito difícil. Treine e ajuste as suas apostas de maneira a tirar o maior proveito da sua mão.

Uma das outras vantagens das micro stakes, é que você pode participar em mãos com muitos jogadores com muitas combinações de cartas que não irão funcionar em jogos mais caros. Por exemplo: um Ax suited. Porquê? Porque são mãos que caso acerte um flush irá conseguir extrair muito dinheiro nessa mão - coisa que numa mesa mais cara vai ser muito mais complicado. Outra mão clássica são os pares baixos. Sempre que fizer um set, vai ter jogadores a dar call até ao river.

O que o caro leitor tem de perceber acerca das micro stakes, é que os jogadores são muito dificeis de serem expulsos da mão. Então se é mau fazer bluff, é muito bom apostar com bom jogo. Porque da mesma forma que eles pagam bluffs, também pagam o seu jogo. Por isso diminua o seu nível de bluffs e aumente as suas apostas com bom jogo. Outras mãos que se enquadram bem neste estilo são os suited connectors. 78 de copas ou 10J de ouros por exemplo - isto porque fazem pares, flush, sequências e ainda dois pares e trios. São mãos que sempre que as fizer, aposte para a frente pois vai conseguir extrair bastante dinheiro.

Quero deixar aqui uma dica fundamental: nas micro stakes, use os pares médios como os pares baixos. TT, 99, 88 ou até mesmo 77: jogue-os para fazer um set. Não tente ganhar a mão apenas com o par. Claro que existem excepções: por exemplo, eu tenho TT e abro com raise e só existe um call. No flop vem J-5-2; é um flop bom para mim - eu vou apostar e tentar ganhar a mão com o meu par. Agora, se dou raise com TT e levo três calls. No flop vem Q-9-5; essa mão já não é boa. Se apostar com frequência nessa mão, verá que não irá ser rentável. Por isso, a dica que vos deixo aqui é que quando vier um par de 77 a TT jogue-o como se fosse de 22 a 66. Veja o flop, tente fazer um set - e caso consiga, acredite que vai conseguir extrair muito dinheiro dos seus adversários. Não conseguiu? Fold a mão - talvez ainda veja um turn caso a aposta seja barata, mas em todo o caso se não tiver feito um set ou algum draw fold a mão e espere por um melhor spot.

Por último, outra estratégia que funciona - e esta é particularmente interessante para o caro leitor aprender e entender - é a value bet. A value bet é uma aposta de valor que tem a intenção de ser paga por uma mão mais fraca. É um conceito que ainda hoje me custa a compreender, mas é algo que é bom você começar a treinar desde o inicio. Por isso, quando tiver uma boa mão e achar que no river irá ser pago - independentemente do tamanho do pot, ou se está bem ou mal de fichas - se achar que é uma situação em que realmente tem a melhor mão, e que vai levar call é obrigatório apostar. Muitas vezes existem pessoas que não apostam por causa do tamanho do pot. "Ah, mas eu apostei 60% da minha stack. Se apostar posso perder tudo." Mas é preciso ser frio, raciocinar e pensar: eu estou a perder ou não? Se achar que está a vencer a mão não interessa se são mais 10$ ou 15$, é obrigatório fazer a aposta e extrair o máximo de dinheiro possível. Isto porque sempre que o caro leitor não faz essa aposta, e alguém a faz em você... bem, está a perder dinheiro! Porque perdeu 10$ numa situação inversa contra um bom jogador. Por isso é necessário ganhar esses 10$, não se esqueça disso. Aposte quando houver valor no river.

Expliquei durante este artigo como se deve jogar neste tipo de limites. Espero que o ajude no futuro nesta caminhada do Texas Hold'em - que é uma caminhada lenta -  e um dia talvez o verei nas high stakes do Poker After Dark.

por Raul Oliveira

6.6.10

Jogar Micro Stakes - Parte 1 de 2

Os micro stakes são o jogo mais barato disponível no seu site, que pode ser de 1/2 cêntimos até um jogo de 25/50 cêntimos - que têm um buy-in médio de 20 dólares.
Um dos pontos positivos de jogar micro stakes é que se joga muitas mãos e em várias delas o caro leitor conseguirá ver o river. Isso vai lhe dar uma melhor noção da lógica e da dinâmica do jogo que vai ser muito útil no futuro. Por ser um jogo muito barato, você pode testar estratégias e vai descobrindo pouco a pouco as coisas que funcionam e as que não; vai retirando do seu portfólio de jogadas aquelas que estão a funcionar mal e vai acrescentar coisas novas que aprendeu através de experiência. Vai, portanto, ajustando o seu jogo à medida que o joga. E as micro stakes são ideais, visto que lhe permitem fazer estes ajustes sem que lhe custe muito dinheiro. Com 20 dólares vai conseguir jogar durante muito tempo, cometer vários erros e fazer vários ajustes sem que isso o penalize financeiramente.

Nos micro stakes vai encontrar muitos jogadores iniciantes, que irão cometer vários erros que vão tornar a mesa lucrativa se você fôr capaz de diminuir a sua margem de erro. Mas como em todos os níveis, irão sempre haver bons jogadores também - apesar de os encontrar com menos frequência. Por isso preste atenção à sua mesa, veja quem está a jogar um poker sólido e de forma segura. Veja quem está a valorizar o dinheiro que está em jogo - por mais barato que seja - e tente extrair alguma coisa desses jogadores e aproveite-se dos fracos para fazer algum dinheiro.

Mas que tipo de jogadores vamos nós encontrar nos micro stakes? Primeiro, vamos encontrar muitos jogadores loose que participam em várias mãos. O problema é que existem jogadores nas stakes mais altas a jogar loose mas de forma agressiva. Nos micro stakes, o caro leitor irá encontrar os jogadores loose-passivos. São jogadores que gostam de fazer  check, pagam qualquer aposta com um draw e não costumam acelerar as mãos para fazer o pot crescer - não apostam alto. Também vai encontrar bastante os calling stations, que são jogadores que não largam as mãos. Podem ter um par baixo ou um draw, qualquer coisa lhes dá justificação para não carregarem no botão "fold". Por isso, terá de adaptar o seu tipo de estratégia para esse perfil concreto de jogadores.

Posto isto, acho necessário explicar que tipo de estratégias não funcionam nas micro stakes. O erro mais comum é sobrevalorizar-se pares de mão: AA, KK, QQ ou até mesmo JJ. Porquê? O caro leitor tem AA, faz raise e leva 4 calls e no flop vem 10-9-7. Essa sua mão em 95% dos casos já está batida com um flop deste tipo. Por isso não se pode agarrar a esses pares. "Ah, mas eu tinha um par de ases. Não havia hipótese nenhuma de largar aquela mão!" Não, tem mesmo de largar esses ases. Espere por um par de ases com um flop melhor, ou então jogue um 10-9 para crackar o AA de outro jogador. Esta é uma das coisas que não funciona: agarrar-se a um par grande numa mesa com 4 ou 5 jogadores que estão a ver um flop que não foi bom para si.
Vejamos este exemplo: você tem KK e na mesa está 8-9-T-2-J. O adversário dá all-in de 2,90€. O caro leitor tem de respirar fundo, e largar esse par de mão. "Mas ele pode ter um AT e estar a fazer bluff." Parabéns para ele, foi um bluff muito bem executado - merece ganhar a mão. Pouquissímos jogadores vão ter coragem de executar este bluff. Se pagar o all-in dele com este KK 100 vezes, vai perder 90-95 vezes e vai apanhar 5 que são bluff. Isso faz com que esse call ao all-in dele seja uma má jogada, perdedora a longo prazo.

Uma outra coisa que não funciona nas micro stakes são jogadas de efeito. Bluffs mirabolantes, calls sem nada na mão para tentar roubar o pot no turn... Pense no seguinte, os jogadores contra quem está a jogar são principiantes. Por isso os raciocínios deles acerca do jogo também são principiantes. Não adianta o caro leitor imaginar que ele está a pensar que voçê pensou... Não, ele está a jogar simplesmente as cartas dele e você deve jogar as suas: só que melhor do que ele. Isso vai-lhe dar lucro e uma consistência de vitórias positiva nas micro stakes. Se quer inventar grandes jogadas, espere pela altura em que possa jogar em limites mais altos: aí existirão melhores jogadores; os bluffs já irão funcionar; já vai poder maximizar mãos... Aqui não, jogue feijão com arroz. Jogue simples, ganhe com consistência e no erro dos adversários. Portanto, por todas as razões indicadas em cima, o bluff é outra estratégia que não funciona nas micro stakes. Não quero com isto dizer para o caro leitor nunca fazer bluff... mas faça-o muito raramente. Espere uma situação muito boa - de preferência apenas contra um jogador - em que você sabe que existem várias mãos no range do seu adversário em que o bluff vai funcionar. Por exemplo, se de repente saiem dois ases no flop e repara que o adversário não tem o ás tente um bluff. Mas utilize pouco esta via, jogue para ganhar em cima do erro adversário.

por Raul Oliveira

2.6.10

A Falta de Respeito no Poker On-Line

Saudações caros leitores! Já alguma vez apanharam aqueles tipos que simplesmente são insuportáveis? Criticam todas as mãos, falam de odds e pedem para a gente os ir ver ao sharkscope... e, quando damos por ela, estamos a pressionar um pequeno botãozinho chamado "mute" no chat. Quem são estas pessoas? De onde sairam? Porque parecem querer fazer de tudo menos jogar poker? Pois bem, como já devem ter deduzido, isso aconteceu-me recentemente e achei piada discutir isto aqui no blog. Então, a situação foi a seguinte:

Eu estou em midle position com ases, e há 4 limps. As cegas estão a 30/60. É óbvio que com ases não me posso dar ao luxo de deixar ir tantos limps ver mesa. Então, subo consideravelmente para 200. A estratégia resultou na perfeição, fiquei heads-up contra o jogador X para ir ver o flop. No flop só saiem cartas baixas, e ainda por cima era arco-íris. Eu ia falar primeiro, e achei que um check-raise daria muito nas vistas. Por isso decidi fingir um bluff de continuation bet, e atirei 300. Ele dá instant all-in, e eu instant call. Ele tinha 4-4 e eu venci a mão.

O que se passou a seguir foi algo de surpreendente e incrível:

- Chamou-me todos os tipos de nomes possíveis e imaginários
- Começou a dizer que o meu jogo era muito fraco
- Começou a tentar ensinar-me poker, explicando que joguei mal os ases porque não devia ter raisado (sem comentários)
- Insultou o meu/nosso país, dizendo e passo a citar: "Vives num país de merda, nem computadores vocês conseguem comprar."
- Falava de si como o melhor jogador do mundo, que aquilo era uma coisa impressionante

É óbvio que isto já aconteceu à maior parte das pessoas que está a ler isto, mas ainda ninguém tinha escrito nada acerca disto. Porquê?
Sermos boas pessoas e saber respeitar os outros jogadores não será mais importante do que saber jogar poker?

por André Leitão

1.6.10

Não Leia este Artigo

Eu sou grande adepto do clube "aprenda o jogo jogando-o". Não digo que não existam grandes recursos para ajudar os jogadores a melhorar os seus jogos - nem tão pouco defendo que os livros e tutoriais de poker não têm a sua importância e lugar.  Porque têm.
No entanto, o problema que vejo nas pessoas que utilizam estas ajudas é que acabam por jogar poker como outra pessoa qualquer - ou pior ainda - como todas as outras pessoas.

Uma das coisas que faz do poker um jogo tão atractivo é ser um jogo que não tem definida uma maneira certa ou errada de jogar. Cada jogador tem a sua própria abordagem ao jogo e a chave, na minha opinião, é o caro leitor conseguir absorver coisas que aprendeu com outros jogadores e incorporar no seu estilo de jogo.

Existem jogadores que têm uma abordagem muito matemática acerca do jogo, e para eles, isso resulta. Estudam as probabilidades todas, e fazem decisões baseados numa equação que dita se estão a pagar o preço correcto da aposta tendo em conta o tamanho do pot. É uma maneira sólida de jogar, mas a verdade é que não é a maneira correcta de jogar para toda a gente. Ainda por cima, a maior parte destes jogadores irá dizer, com toda a razão, que a matemática apenas os leva a um certo ponto.

Saber calcular probabilidades poderá certamente ajudá-lo a decidir correctamente, e a traçar uma jogada inteligente - no entanto não toma em conta contra quem está a jogar. Existem alturas em que por muita probabilidade que se calcule, o resultado final do nosso raciocínio é nitidamente influenciado por aspectos psicológicos relacionados com a leitura do adversário em questão ou até mesmo pela própria situação. "Será que este tipo tem uma boa mão? Consigo afastá-lo do pot? Estou a meter-me em sarilhos?" Mesmo que as probabilidades digam que deve jogar determinada mão, os seus instintos poderão estar a dizer-lhe algo totalmente diferente; e isso é algo que apenas se desenvolve jogando.

Se nos basearmos muito nos concelhos de outras pessoas, pode na realidade tornar mais dificil desenvolver esta característica em particular, porque é absorvida informação a mais. O caro leitor fica tão concentrado em calcular as probabilidades e estratégias certas; que se esquece que está a jogar contra outras pessoas e que tem de descobrir o que elas estão a planear fazer. "Estarão assustados? Irão fazer fold à mínima pressão? São patos?" Na minha opinião, estas são coisas importantes a ter em conta durante uma mão de poker.

Já foi dito anteriormente, mas não faz mal repetir: o poker não é um jogo de cartas, mas sim um jogo de jogadores e de situações. Os jogadores vencedores entendem que por vezes é necessário correr riscos. Umas vezes as coisas resultam, outras não. Mas mais importante que isso, é perceber que ganhe ou não a mão, tem de fazer a jogada que acha ser a mais correcta.

No fim de uma mão ou de uma sessão de poker, estude as coisas que fez bem e seja honesto consigo próprio quanto aos seus erros. No entanto, não pense demais nas mãos jogadas (não pense como seria se não tivesse feito x), pois isto terá um impacto negativo nos seus próprios jogos. Identifique os seus erros, aprenda com eles e siga em frente. Só porque determinada jogada não funcionou como pretendido isso não significa que não fosse a jogada correcta. Como já disse, existem coisas que apenas se aprendem jogando.

Por isso, aqui fica o meu concelho. Leia este artigo. Leia outros artigos e livros de poker. Discuta situações com os seus amigos. Absorva o máximo de informação que puder. Mas no fim do dia quando se sentar numa mesa de poker, siga os seus instintos e jogue o seu próprio jogo - não o de outra pessoa.

por Phil Ivey 

14.4.10

Running Bad

É certo que se o caro leitor joga poker regularmente, está farto de ouvir histórias de bad beats incríveis - lamentos de pessoas que acham estar running bad. Mas o que significa estar running bad?

A maior parte das pessoas dizem estar running bad quando, por exemplo, os seus sets estão constantemente a serem batidos por straight ou flush draws; ou quando os seus par de ases são vencidos por par de reis graças a um milagroso rei pintado no flop. Estas histórias são normalmente acompanhadas de frases como "Ele fez a gutshot!" ou "Ele só tinha 1 out!".

No entanto, sabia que existem mais do que 2 maneiras de estar running bad? É importante entender estas diferenças.

O caro leitor poderá estar running bad com as cartas que os outros têm - e isto é relativo. Ter KK 3 vezes numa hora seria considerado running good. Mas se sempre que isto se sucede, encontra um adversário com AA, isso seria considerado estar running bad, certo?

Ir all-in com top set e ser vencido por um flush-draw é estar running bad, mas perder com flush para um flush mais alto também significa muito azar. Se utiliza um programa que analisa o seu jogo, o seu EV irá mostrar que estatisticamente deveria ter vencido a mão.

É normal. Você pode jogar um poker perfeito, encontrar boas mãos e perder na mesma porque:

1. Levou bad beat.
2. Encontrou alguém com uma mão melhor.

Existe um pontencial 3º "running bad" onde se encontram as cartas do river e as acções que os seus adversários tomam conoante o seu conhecimento do jogo.

Do outro lado da moeda, existe o running good - que acontece quando só lhe saem grandes mãos e vence sempre ou quando dá all-in com a pior mão no momento e dá bad beat ao seu adversário vencendo a mão. É importante que perceba a diferença. Pode fazer um jogo perfeito e perder na mesma - isso é estar running bad.

Pode ter ouvido outros jogadores falarem acerca da variância. Isso é uma medida estatística de mostra a dispersão dos seus resultados. Estar running good ou bad afecta a sua bank rool, mas o caro leitor deve olhar para o poker como uma sessão única e contínua e não como sessões diferentes e individualizadas. Tente pensar no jogo - nem mais, nem menos - e não deixe as emoções virem ao de cima. O importante é que continue a tomar as melhores decisões todos os dias, em todas as sessões.

por Joe Beevers

17.3.10

Mantenha o Pot Pequeno

O poker é um jogo de decisões. Algumas decisões são bastante fáceis de tomar, enquanto que outras não o deixarão dormir caso a coisa corra mal. Pela experiência que tenho, quanto maior é o tamanho do pot, mais difícil será a sua decisão. Inversamente, quanto mais pequeno fôr o tamanho do pot, mais fácil é a decisão a tomar.
É por isso que, particularmente nos torneios, o caro leitor irá querer manter o pot pequeno quando tem uma mão marginal. Não quer estar numa decisão que ditará o destino de todas as suas fichas, quando apenas tem algo como um top pair com um kicker médio. É preciso evitar essa situação o mais possível. Por isso lembre-se que às vezes é melhor manter o pot pequeno fazendo check ou call do que começar a construir um pot enorme, mesmo que esteja em vantagem a certa altura da mão.

Deixe-me dar-lhe um exemplo de uma mão que joguei na WSOP do ano passado. Estávamos nos níveis iniciais do torneio, e eu estava no cut-off com K-J. Todos foldaram até mim, dei raise e levei um call do botão. Ambas as blinds foldaram, e estavamos head's up no flop.

O flop trouxe J-9-3 com dois ouros. Sim, eu tinha top pair com um kicker forte, mas com uma straight e flush draws no flop não estava com muita vontade de ir à loucura com aquela mão. Por isso dei check, e o villain aposta cerca de 2/3 do pot.

Um check iria obviamente tentar o meu adversário a fazer bluff neste spot, especialmente se ele me dava uma mão como AK ou AQ. Com um bluff ou um draw que seria a mão mais provável do villain, eu fiz apenas call.

O turn trouxe um inofensivo 5: não era ouro e pouco provável que ajudasse em alguma coisa o villain. Mais uma vez, eu decidi controlar o tamanho do pot e dei check mais uma vez. Se eu apostasse e o botão tivesse um draw de monstro, havia uma boa hipótese de ele fazer re-raise sobre a minha aposta para me tentar forçar a sair da mão. Eu gostava da minha mão ali, mas não era o suficiente para apostar tudo.

Depois de eu dar check, o villain sai-se com outra aposta, à qual dei call. O river trouxe um 2 que não era ouro, querendo dizer que nem o flush nem a sequência foram completadas. Confiante que tinha a melhor mão, decidi na mesma dar check no river.

Porquê? Bem, existia uma pequena hipótese de o villain ter feito um set ou dois pares algures no percurso da mão - e é melhor fazer check/call neste pot do que dar de caras com uma decisão dificilima por muitas fichas se ele der re-raise. Caso ele não tenha nada, fazer check poderá induzi-lo a tentar fazer um bluff no river.

Aconteceu que o botão deu check logo a seguir ao meu, e eu venci o pot com o meu KJ. Não ganhei um grande pot com essa mão, mas também não perdi um grande pot. As decisões que tomo na última carta tornam-se significativamente mais fáceis quando eu controlo o pot e o torno pequeno.

por Jennifer Harman

26.2.10

O Poker no Comité Olímpico

A PokerPT avança com a notícia de que a Associação Internacional de Jogos Mentais anunciou que tenciona aceitar como membro a Federação Internacional de Poker em meados de Abril. O que significará que o comité Olímpico aceitará o poker na sua lista de jogos de estratégia.
Ora, eu acho isto extremamente avassalador - principalmente tendo em conta a horrível reportagem que passou na SIC, que manchou o nome do Poker em Portugal e ofendeu todos os jogadores de poker.

Quando começei a jogar, não sabia que era necessária perícia ou experiência. Simplesmente ia ver o que as cartas me reservavam - mas a partir de certa altura pensei: "Bolas, existem profissionais disto. Não pode ser um jogo de sorte." Então liguei a net e procurei foruns ou sites que me ajudassem nesta questão. Foi aí que entrei no mundo dos artigos de estratégia, perdido entre conceitos que até então me eram totalmente desconhecidos, como o EV+/-, Position, Pot Odds, Implied Odds, Jogadas do cut-off, Large Stacks, etc... A lista é interminável. E o facto é que depois de ler isto, sentia-me melhor jogador. Os resultados estavam a ser cada vez melhores. Por isso saí, e comprei um par de livros: entre eles o único livro escrito por portugueses, em que vez um estudo interessantíssimo que prova por A+B como o poker é um jogo de perícia e não de sorte. Avançei então para literatura estrangeira: li Brunson, Phil Gordon, Barry Greenstein, Ted Forrest e até Phil Hellmuth (já não gostei tanto).
Hoje, e este blog é prova disso, sou jogador de micro e low stakes sem vergonha nenhuma de o admitir. No entanto, sou um jogador ganhador já com uns cash outs valentes. Tenho o orgulho de dizer que, para já, ainda não perdi dinheiro nenhum a jogar poker: antes pelo contrário.
Ora para chegar a este nível após milhares de jogos, é preciso saber. É preciso estudar. E é mais do que óbvio de que quem joga simplesmente por sorte, a longo prazo a única coisa que vai conseguir fazer é perder dinheiro. Isto porque o poker não se limita a um jogo, mas a milhares. As pessoas ainda não conseguem compreender isso. Não é num jogo de poker que se vê quem joga bem ou mal. Um jogador pode dominar por completo os adversários num jogo, quase sem perder uma única mão. O público vê, e aplaude o que aos seus olhos parece um jogador excelente de poker. O que é falso, porque se calhar ao fim de 300 jogos esse jogador apresenta resultados negativos. Isto gira tudo à volta da EV (Expected Value), e um grande jogador de poker tenta sempre maximizar ao máximo as suas mãos - isto é, fazer a jogada que até poderá resultar numa grande perda, mas que ao longo prazo trará lucro. Eu sei que é complicado de perceber, mas acreditem que não é assim tão dificil quanto isso. Ora para fazer este tipo de jogadas, é preciso coragem (porque é o nosso dinheiro que está em jogo), é preciso ter um bom cariz matemático, é preciso saber avaliar os spots, é preciso ter uma noção forte e rápida de pot e implied odds, etc. Ora isto, caros amigos, não é sorte! É sabedoria! E ao longo prazo, estes jogadores ganham e os outros perdem.

Posto isto, como vejo o poker na lista de jogos de estratégia do comité olímpico? Com um sorriso enorme, assim de orelha a orelha. Pode ser que se isto se concretizar, Portugal saia do preconceito que o consome em relação a este desporto.

por André Leitão

13.2.10

Apostar Fora de Posição


Todos os livros de poker falham-lhe acerca da vantagem e consequente importância de jogar mãos em posição. O conceito base de jogar em posição dita que o jogador que age por último possui mais informação acerca dos seus adversários, e que por isso tem maior consciência de como está na mão - o que o ajuda a tomar melhores decisões. Não existem dúvidas acerca da veracidade desta afirmação, mas é importante compreender que o poder que vem da posição é normalmente concedido ao jogador que se encontra no botão pelo jogador que se encontra UTG.

Para se compreender melhor este conceito, imaginem um jogo normalíssimo de No Limit Hold'em. Digamos que estou na BB com 78 de espadas - uma boa mão para ver um flop. O jogador no botão raisa standart 3BB's e eu decido dar call. Muitos jogadores iriam fazer check no flop em quase todas as circunstâncias. Mas, ao dar check, acabou de dar controlo ao jogador no botão. Ele poderá agora apostar caso tenha ou não uma mão digna, colocando-o numa posição complicada caso tenha falhado o flop.

Numa mão como esta, acredito que o melhor a fazer é olhar para o flop e questionar, "É provável que estas cartas tenham ajudado o meu adversário?" Quando tiver resposta a essa pergunta, poderei decidir como proceder.

Se o flop é Ac-Ko-9p, eu provavelmente apenas daria check e faria fold a qualquer aposta, porque é provável que o meu adversário tenha raisado com cartas altas e tenha apanhado um pedaço do flop. No entanto, se o flop é 9p-5c-2o, a história provavelmente mudaria de figura. Eu sei que no Hold'em, duas cartas distintas falharão um par no flop em cerca de 66% das vezes, e este e um flop que provavelmente o meu adversário falhou.

Se eu suspeitar que o meu adversário não apanhou nada, tomarei a iniciativa e apostarei cerca de 1/2 do pot. Apostar aqui com um projecto de sequência traz inúmeras vantagens. Primeira, poderei ganhar o pot logo ali, e fico sempre contente de ver um semi-bluff a forçar um fold do vilain. Mas mesmo que eu receba call do meu adversário, eu forcei-o a reagir. Isso dá-me uma hipótese de apanhar uma leitura. Se o meu adversário parece estar confuso, talvez continuarei com o meu semi-bluff no turn para tentar roubar o pot. Ou, se eu sentir que o meu adversário está forte, poderei dar check e foldar a mão a qualquer aposta no turn - caso eu tenha falhado o meu projecto.

Atacar os pots fora de posição pode tornar-se algo muito lucrativo. Nos torneios, eu costumo abrir o pot fora de posição com alguma frequência. Isto apenas porque penso que se mostra muita força a ser o primeiro a atacar o pot no flop. Eu ganho muitos pots pequenos dessa maneira.

Enquanto o caro leitor estuda e trabalha o seu jogo, lembre-se que nem sempre se deve dar ainda mais força ao jogador em posição. Procure oportunidades de aposta, e tome a iniciativa.

por Gus Hansen