12.7.09

Torneios Sit & Go: A forma certa de evoluir a bankroll

Não há muito tempo juntei-me à bwin para jogar cash games com o nick "enoehtshark". Já joguei a dinheiro na Full Tilt Poker (onde cheguei a ascender a uma bankroll de 80 dólares) e na Poker Stars com os 5 dólares bónus que ofereceram a todos os novos jogadores. Em relação à Bwin é uma vantagem enorme a facilidade de carregamento de conta que existe*.
A maior parte das pessoas quando entra num site de poker vê os cash games como os jogos mais lucráveis: e à primeira vista é verdade. Afinal não se joga com fichas, joga-se com dinheiro. Aposta-se $1, $20, $30 ou o que fôr preciso. Não existem adversários que precisamos de eliminar, apenas nos sentamos ali com o dinheiro à frente; esperamos boas cartas e capitalizamos. Bom, são bons argumentos sem dúvida... mas nós jogadores sabemos que não é verdade. Não quero com isto dizer que não é lucrável, porque é. Um jogador extremamente tight conseguirá sem dúvida vingar em mesas de cash games, mas existem formas mais lucráveis de conseguir aumentar em muito a nossa bankroll arriscando pouco dela. Estou, como é óbvio, a falar dos torneios Sit and Go. São excelentes para quem começa e... praticamente para toda a gente! É bastante lucrável, principalmente para um bom jogador.

Jogo em limites baixos, pois começei à pouco tempo a criar a minha bankroll.

Nos últimos dias participei em torneios Sit and Go NL Hold'em, onde a taxa de entrada é de $1,20 e apresenta uma estrutura de 3 lugares premiados. Ganhei o 1º prémio e o 2º prémio respectivamente. Arrisquei 2 dólares, e ganhei 8. O quadruplo do que investi, e isto graças ao engraçadinho com quem disputei a final do 2º torneio: eu tinha 5 mil fichas, ele tinha 8 mil. Recebo K-10 de copas vou all-in e ele fez call com A-5. No flop sai K-Q-Q. Turn: J. River: 10. Foi bastante injusto; tive praticamente todo o torneio como chip leader. Mas pronto, é poker.

No primeiro torneio tive um campeão a quem levei 4 vezes all-in, e perdi as 4 vezes (estando 3 delas a dominá-lo pré-flop em cerca de 80%). Recordo-me de uma vez em que ele foi all-in, eu dou call com KK ele tinha A-6. No flop sai K-3-6. Turn:6. Não é preciso dizer mais; mas mesmo com esse azar consegui vencer o torneio.

O torneio de hoje também correu bastante bem, tirando a tal situação já referida acima. Fui durante todo o torneio chip leader, ganhei cerca de 80% dos pots em que entrei. Em head's up, gostaria de referir que o meu adversário era bastante bom (apesar da maneira como o torneio acabou). Houve uma mão particularmente interessante em que recebo Q-9 de copas na BB. Ele faz limp, e eu permito um flop. no flop sai K-K-5. Ele aposta 400 fichas (cegas a 100/200). Era jogada típica dele, não engoli. Fiz raise sem nada; e ele dá call. No turn bate um 5. Ele faz check e eu aposto 800 fichas, obrigando-o a desistir do pot. "Nice bet", disse-me ele no chat. Bom, tinha posição: e só precisava disso para ganhar aquela mão.

A noite acabou bastante lucrativa, e vendo os gráficos tenho lucrado bastante mais em 2 dias de torneios do que em 20 dias de cash games. Depois existe outro pormenor: que é a vivência do poker não como um jogo com cariz capitalista (cash games) mas sim desportivo (torneios). Dá muita mais emoção pagar um x de dólares, e partir numa jornada competitiva por todas as fichas do torneio. Não consigo encontrar algo mais ambicioso e lucrativo do que isso, e quem tiver opinião contrária basta deixar a sua argumentação em comentário. É Texas Hold'em no seu melhor. É a paixão pelas jogadas, a ansiedade de ver que falta um adversário sair para se entrar nos lugares premiados, a emoção de estar all-in e de precisar de um river milagroso. É essa a razão porque amo este jogo; e continuarei a jogá-lo até deixar de respirar.Para os mais curiosos, dispenso em baixo imagens dos meus dois torneios sit and go que me renderam $8.

*para carregar a sua conta na Bwin basta dirigir-se a uma papelaria com payshop e pedir um paysafe card. O pagamento é então feito em dinheiro em troca de um talão que contém um código, que será depois utilizado para desbloquear o dinheiro que pagou na sua conta. Para isso basta entrar na sua conta da bwin, clicar em pagamentos e de seguida em paysafecard. Será-lhe pedido o código do talão seguido do montante que carregou, e após introduzir estes dados terá o seu dinheiro pronto a usar na Bwin.

Screens do Torneio 1

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Screens do Torneio 2

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9.7.09

"Pôr Mudanças"

É muito fácil vencer jogadores que jogam sempre da mesma maneira. Se forem tight, faço fold sempre que eles decidirem entrar no pot; ou irei tentar forçá-los a sair do pot com tentativas de roubo de blinds. Se eles forem loose, eu tentarei jogar tigh e esperar por boas cartas. Se eles apostarem em qualquer draw no flop, eu irei fazer-lhes raise mais vezes do que o normal.

O objectivo é este: quando os meus adversários são previsíveis, eu raramente cometo um grande erro contra eles. Mais importante, posso utilizar a informação que tenho sobre eles para os fazer cometer grandes erros.
Ser capaz de "pôr mudanças" é um dos mais importantes atributos que um jogador ganhador pode possuir. Ás vezes é correcto jogar tight. Ás vezes é correcto jogar loose. Mas é sempre correcto manter os meus adversários à nora acerca de como estou a jogar, e de que tipo de cartas tenho na mão.

Outra coisa, eu nunca olho para as minhas cartas enquanto não é a minha vez de agir. Descobri que se olho para a minha mão logo que as cartas são dadas, fico desinteressado pela acção se tiver má mão e demasiado interessado na acção se tiver boa mão. Jogadores que estejam a prestar atenção podem facilmente perceber isto e usá-lo contra mim quando decidem jogar as suas cartas.

Esperar pela minha vez para poder olhar para as minhas cartas também me ajuda a estar concentrado em tudo o que os outros jogadores estão a fazer. Estando concentrado no que cada jogador está a fazer antes do flop, apanho sempre informação valiosa que me ajudará mais tarde a jogar melhor a minha mão.


Por Phil Gordon, em The Little Green Book

8.7.09

Em Defesa do Call

A maior parte da literatura de poker avisa os leitores para o perigo de se tornarem numa calling station. A sabedoria comum dita que quando se joga uma mão se deve apostar, aumentar ou desistir. Fazer call é usualmente considerada a pior coisa que se pode fazer.

Eu discordo. Quando jogo em torneios No Limit Hold'em encontro muitas situações onde fazer call é a melhor opcção existente. Um call estratégico poderá impedir-me de perder as minhas fichas numa mão onde tenho boas cartas, mas que estão batidas. Ou, um call com bom timing poderá ajudar-me a apanhar um pot com uma mão que não ganhará se fôr a showdown. Veja os seguintes exemplos; acho que irá perceber que o call é uma poderosa e sobrevalorizada arma.
Digamos que se encontra a meio de um torneio e que tem um stack um pouco acima da média. Um jogador tight abre o pot em UTG com um raise 3 vezes a big blind. Você levanta as suas cartas e vê um par de 10 de mão. Provavelmente não irá querer desistir de um par de dez. Poderá tornar-se numa mão muito forte, como tem visto ao longo do tempo, e poderá muito bem ser a melhor mão em jogo nesse momento. Muitas pessoas dizem que nesta situação, o caro leitor deveria fazer um grande re-raise.
Mas o re-raise pode ser muito perigoso. Dependendo do tamanho da sua stack, poderá acabar comprometido com o pot e não ter outra opcção senão fazer call quando o seu adversário fôr all-in. Se isso acontecer, provavelmente estará a jogar contra um par maior ou, no mínimo, A-K. Nunca irá querer colocar todas as suas fichas em jogo quando é apenas um pequeno favorito para a vitória.

Mas se no entanto, apenas fizer call ao primeiro raise, irá ter uma melhor oportunidade para fazer uma melhor decisão no flop. O flop poderá ser A-Q-7, e neste ponto, o caro leitor poderá desistir a qualquer aposta feita sabendo que não existe hipótese de a sua mão ser a melhor. Mas se o flop fôr 4-4-6 e o seu adversário apostar, poderá fazer raise. A maior parte dos jogadores quando apanha A-K irão desistir nesta altura. Se o seu adversário fôr all-in, você fica com a certeza de que o seu par de dez não chega. Então poderá desistir, preservando uma boa parte da sua stack.
Independentemente de como a mão se desenrole, perceba que terá muita mais informação com que trabalhar no flop se apenas fizer call a um raise inicial. Poderá ver 3 das 5 cartas comunitárias antes de cometer um grande porção da sua stack. Também estará a forçar o seu adversário a reagir ao flop. A acção dele - a sua aposta ou check - irá ajudar o leitor a determinar a força dele.
Aqui está outra situação onde fazer call em pré-flop oferece grande vantagem. Digamos que se encontra no botão com 77 de mão e um jogador de uma posição média abre o pot com um raise. Para o bem deste exemplo, vamos assumir que o jogador em questão tem JJ. O flop é A-K-4. É praticamente impossível para o jogador com JJ continuar nesta mão. Na maior parte das vezes, este jogador irá fazer check. Quando isso acontecer, o caro leitor poderá tentar representar um Ás, o que provavelmente iria provocar um fold do adversário. Você ganha assim um pot por desistência, não à melhor sentimento no poker.
Estes são apenas pequenos exemplos simples, mas quero chegar mais longe ainda. A maior parte dos iniciados parecem ansiosos por fazer as suas jogadas antes do flop. Mal apanham uma mão decente, fazem raises e re-raises, dando o seu máximo para irem all-in. Acredito que jogar no flop abre oportunidades para grandes desistências e bons bluffs que não poderão ser feitas pré-flop. Jogar com o flop na mesa é bastante divertido. No seu próximo torneio, tente fazer call em posições em que provavelmente faria re-raise. Acho que irá adorar a experiência.

Por Gavin Smith

7.7.09

E quanto ao vosso autor? Bwin e 2º Lugar no Sunday Supreme Satellite no Vegas007

Bom, já à uns tempos que não falava acerca do meu poker. Tenho jogado muitos cash games ao vivo: digam o que disserem, para mim esse é o verdadeiro poker! Quanto a internet, estou à sensivelmente um mês a jogar na bwin com o nick "enoehtshark", e tenho-me saído bastante bem. Isto claro, tirando uma bad beat que levei ontem, algo soberbo: Tinha J-9 de ouros na big blind, o button faz raise para o dobro; fui ver o flop. Saiu 9-6-2 arco-íris. Faço check, e imediatamente recebo raise do button. Agora, já estava sensivelmente à duas horas a jogar naquela mesa, e o jogador em questão era estremamente tight. Quero dizer, mesmo tight! Tinha uma selecção de mãos muito rigorosa e via-se que, tal como eu, estava ali para ganhar e dinheiro e não para brincar ao poker. Logo no meu ponto de vista, seria estúpido se ele fizesse um raise com uma mão fraca. Deduzi portanto que ele teria algo como A-K. Senti isso. Obviamente que se tivesse par de mão, e tivesse flopado um set eu estaria em muita má forma. Mas mesmo assim não me convenci, não era o estilo daquele jogador acertar um flop tão baixo. Por isso fui all-in. Ele faz call, e de facto a minha leitura estava mais do que correcta: apresentou A-J. Foi bom para mim, porque era menor do que eu esperava; sinceramente apostava dinheiro em A-K. Bom, precisava de dobrar na altura (já estava a perder a meia hora atrás). No turn não sai nada para nenhum, e no river pintou o Ás dando-lhe a melhor mão.
Obviamente que só me apeteceu ir ao chat e chamar-lhe uns nomes feios: primeiro porque não respeitou o meu raise all-in (tratou-me como se eu fosse um turista, e isso não admito) e em segundo, quem é que se compromete com uma mão como A-K? Como diz Doyle Brunson, A-K é uma boa mão porque é fácil de desistir. Enfim, o call dele obrigou-o a ir all-in também e lá dobrou a pasta.
Falando agora acerca do grande evento... bom, grande evento como quem diz. Informaram-me de uma nova sala de poker chamada Vegas007 que oferecia bons freerools, onde se poderia ganhar dinheiro. E realmente é verdade, existe um que oferece $35 se não me engano. Por isso, decidi fazer por um dia uma pausa nos cash games na bwin e tentar um freeroll para ganhar algum. Mas o que eu apanhei foi um classificatório para um satélite, chamado Sunday Supreme Satellite. Bom, lá entrei eu e consegui o 2º lugar que me deu... nada. Apenas o primeiro classificado levaria o tão prezado bilhete. O torneio começou às 4 da manhã (bem ditas férias, e muito obrigado ao Professor de História do Desporto); e enquanto não começava decidi ir "brincar" na Full Tilt Poker. Bom, nas primeiras mãos fiz um straight flush. Depois lá começou o freeroll, e apesar de não ter ganho o bilhete especial não foi uma má experiência. Quanto ao software da sala... bom, é uma sala recém-nascida. Tenta utilizar um sistema em 3D parecido ao do PKR, mas não lhe chega aos calcanhares: é mesmo muito fraquinho graficamente. Na minha opinião, o mais acertado seria mesmo colocarem o sistema 2D em vez deste. Quanto à jogabilidade em si, nada a acrescentar: tudo correu dentro dos conformes. Os jogadores, esses... bom, acho que vi de tudo. Havia lá jogadores que pelas jogadas, eu pensei que o verdadeiro jogador tivesse ido ao WC e o filho de 3 anos tivesse assumido o controlo do jogo. Vi raises disparatados, coisas inqualificáveis: houve inclusive um jogador que foi all-in com A-K e outro acompanhou com A-7 saindo-lhe a sequência no river. Bom, sinceramente caro leitor, nem lhe consigo explicar como cheguei ao 2º lugar. Mas se aproveitei os patos que lá estavam? Claro que sim. Como poderia deixar uma oportunidade como essas passar-me ao lado?

5.7.09

Peter Eastgate: O Mundo nas suas Mãos



Aos 23 anos, Peter Eastgate é a inveja do mundo do poker, mas o "Young Dane" fala com modéstia à Inside Poker. O mais jovem e actual campeão do mundo fala acerca de como a histórica mesa final mudou a sua vida para sempre.


Enquanto que o repórter da Inside Poker partilha um confortável sofá com Peter Eastgate na Sala Verde da Party Poker Premier League III, é fácil de ver o porquê de lhe chamarem Gate Frio (Icegate). É que apesar de estar rodeado pelos mais intimidantes jogadores de poker do panorama mundial, Eastgate de bom grado se iria sentar à sua frente. Ele fala lentamente, raramente quebrando a monotonia e ocasionalmente esboçando um sorriso. Se precisa de mais provas acerca do gelo que corre nas suas veias, reveja a altura em que venceu os 9,15 milhões na World Series of Poker. Enquanto que os seus fãs corriam e dançavam à sua volta, ele apenas ajustou o seu chapéu e ficou a olhar para a mesa. Foi o pico das reacções não compreendidas.

Apesar de tudo isto, Eastgate admite que se arrepende de não ter aproveitado mais o momento na World Series: "Se pudesse re-fazer as coisas, eu entrava em altura na altura em que tinha ganho; isto porque percebi que foi muito aborrecido não ter celebrado. O que aconteceu foi que eu estava tão preocupado com a mão que não cheguei a fazer a transição de estar concentrado para estar contente e feliz."


Até que faz sentido. Na verdade, ele e Ivan Deminov mereciam ficar de boca aberta a ver aquele último river. A concentração enorme que tiveram de empregar no poker em 3 meses tinha terminado num ambiente de alta pressão, rodeado de luzes, cameras e um público rejubilador. Se fica pressionado quando precisa de estacionar o carro para poder ir para o seu emprego, não imagina como é ultrapassar 6,844 jogadores de poker e reclamar o título de campeão mundial aos 22 anos.

A mão final e fatal para Deminov, é descrita de uma maneira avassaladora por Eastgate: "Eu fiz limp a dealer, como sempre faço. Jogo em toda a vez que estou a dealer. A razão disto não é segredo nenhum para alguém que perceba de poker, tu queres sempre ter posição sobre os adversários. Eu misturei o meu estilo de jogo entre fazer limp e aumentar 1/2 do pot. Dessa vez eu fiz limp e no flop bateu-me um projecto de sequência. Eu apostei para ver se ganhava o pot mais o Ivan acompanhou. Percebi que naquela altura ele já deveria ter alguma mão, porque fora de posição ele não se poderia dar ao luxo de andar para ali a flutuar. Não sabia o que ele tinha, mas quando fez check no turn percebi que estava a frente com a minha sequência de Ás baixo. Se ele tivesse 5-6, seria mesmo devastador para mim. Ele fez check, eu apostei e ele aumentou-me metade da sua stack. Eu cobri; se ele tivesse feito alguma mão ele iria cobrir a minha ap
osta de certeza, não faria sentido aplicar um check-raise e desistir na última mão. A razão porque eu apenas cobri foi no caso de ele estar a fazer bluff eu queria espremer o resto da stack dele. O river foi uma carta em branco, ele esperou 30 segundos e anunciou all-in. Quase que ouvi o seu pensamento: "Bom, isto é muito esquisito e sei que posso ser batido; mas como tenho dois pares tenho de fazer isto." Obviamente que fiz o call, e fiquei em choque como puderam ver."

Peter Eastgate ainda acrescenta que "Ninguém me conhecia antes da World Series e agora isso está a mudar; muita gente quer entrevistas. Essa foi provavelmente a maior mudança. É óbvio que existe o dinheiro, mas ainda não decide o que fazer com ele. Eu estava bastante bem antes de vencer e podia ficar sem trabalhar cerca de dois anos. Agora parece que estou safo para o resto da vida."


Reportagem Inside Poker Magazine Report

O Perigo dos Maus Jogadores

O caro leitor terá de ser capaz de categorizar os seus adversários, as respectivas habilidades para jogar poker... e terá de jogar de forma muito diferente dependendo dessa categorização. Isto é bastante importante no No Limit Hold'em.

Por isso, quanto a este problema existem duas regras fundamentais:
(1) Contra maus jogadores... você simplesmente faz a jogada óbvia. Isto é, não tenta fazer truques quando está metido num pot com um mau jogador. Não poderá fazer jogadas subtis que estão para lá da capacidade de ele entender ou apreciar. Terá de jogar fundamentalmente melhor (em vez de estratégicamente melhor) do que um mau jogador. Numa palavra, ganha-lhe mostrando melhor jogo.

(2) Contra um jogador de alto-nível... (alguém que consiga seguir a mesma linha de raciocínio que você)... você terá de baralhar o seu jogo. Ás vezes faz uma jogada óbvia (como iria fazer contra um mau jogador) e outras vezes faz uma jogada não tão óbvia. A maior parte das vezes terá de jogar estratégicamente contra um jogador forte.

Contra um mau jogador, é esconder-se no escudo. E parece simples e lógico que chegue. Até existe bons jogadores que sabem que isso é o melhor a fazer; mas saber algo e executá-lo - são coisas totalmente distintas. Eu vi jogadores de poker de topo fazerem erros no campeonato do mundo que apenas um idiota faria.
Houve particularmente um jogador que entrou no torneio pela primeira vez... e, quase que imediatamente, era fácil ver que ele era um jogador muito fraco. Ele era o exemplo supremo de um calling station - um jogador a quem é impossível fazer um bluff.

Apesar de eu nunca ter jogado com ele, não demorei muito tempo para reconhecer o tipo de jogador que ele era. Joguei com milhares iguais a ele durante a minha carreira. Por isso, eu sabia o que fazer quando estivesse envolvido num pot com ele. Mais precisamente... eu sabia o que não fazer. Eu não iria tentar fazer-lhe bluffs. Nem uma única vez. Decidi rapidamente que se estivesse no pot com ele, iria mostrar-lhe uma mão. E, se ele tivesse a sorte de me ganhar... bem, iria ganhar-me uma mão. A minha mente estava preparada para isso.
Mas haviam outros grandes jogadores no torneio que tentaram atropelá-lo - tentando afastá-lo do pot. Eles faziam-lhe bluffs com muita frequência... e raramente saíram bem sucedidos. Se ele tinha a mínima coisa... ia atrás do pot. Como eu disse, ele era o perfeito calling station. E ele ganhou tantas mãos com isto, que acabou o dia num ranking mais elevado do que o que deveria. Ele tinha 1 em 1000 hipóteses de acabar no ranking em que acabou. A razão porque isto aconteceu foi porque muitos jogadores - e alguns bastante experientes - lhe entregaram o seu dinheiro de bandeja. Eles literalmente lho ofereceram.

O que eles não deviam ter feito, foi tentar fazer bluffs. É preciso ser muito idiota para fazer um bluff a uma pessoa que sabemos que vai acompanhar.

Simplesmente não se pode fazer bluff a um mau jogador, porque o estilo de jogo dele é jogar quando tem mão e desistir quando não tem. Quero dizer... é preto no branco. Não é preciso ser um psicólogo para descobrir o que ele está a fazer. Tudo o que se tem de saber é que se ele está metido no pot... é porque tem alguma coisa. E você não vai conseguir afastá-lo do pot com bluffs.

Acima de tudo... o caro leitor não quererá fazer gamble com um jogador fraco. Esqueça isso... mostre-lhe a mão. Contra um mau jogador faz-se coisas muito fundamentais. Coisas óbvias. Isto é... nada de truques... nada de jogadas estratégicas... nada chique. Jogue poker direitinho contra um mau jogador.
Outra coisa que deverá saber acerca dos maus jogadores é que são de diversas variedades. Não são só como aquele que aqui descrevi. Alguns fazem completamente o oposto. Há uns que fazem check com as mãos boas e apostam nas suas más mãos. Gostam de fazer bluff... e fazem-no quase constantemente. Por isso, com um jogador como esses, você faz sempre check... deixando que ele bluff o dinheiro em direcção a si.

Por Doyle Brunson, em Super System: A Course in Power Poker

4.7.09

Quem é o Melhor Jogador do Mundo?

Se num jogo de poker perguntar confidencialmente a cada jogador quem é o melhor, o mais certo é que respondam o seu próprio nome. Esta visão deles próprios é baseada em alturas em que se encontram no auge do seu jogo. Após essa pergunta, um jogador poderá tentar justificar a sua opinião apontando um aspecto do jogo que ele valoriza e em que acredita ser melhor do que os outros. É óbvio que cada jogador poderá ter uma diferente percepção sobre qual é o elemento mais importante no jogo. Mas enquanto não se vir um jogador a perder e a receber más cartas, não temos uma imagem pormenorizada do quão realmente bom ele é. Saber lidar com a adversidade é a chave para se ser um bom jogador de poker.


Passei algum tempo a pensar acerca de quem seria o melhor jogador do mundo. Joguei poker ao mais alto dos níveis, e acredito que sei a resposta.
Será um jogador de torneio de topo? Como disse o Deep Throat em "All President's Men", "Sigam o dinheiro." Se os jogadores de torneio são assim tão bons, eles deveriam ganhar milhões de dólares nos cash games. Existem jogadores de high-limit que rezam para que os jogadores de torneio peguem nos seus ganhos e saltem para as grandes mesas. Alguns já tentaram, mas nenhum deles foi bem sucedido ou passou dos limites médios.

Será o leitor o melhor? É pouco provável que seja o escolhido. Serei eu o melhor? É porque não viu muitas jogadas estúpidas que fiz ao longo dos anos. Fui vencido milhares de vezes. Ás vezes até caio em armadilhas criadas por jogadores fracos. Para dizer a verdade, eu escrevi isto porque tenho na memória todas as coisas estúpidas que fiz e continuo a fazer.

Por isso, como julgamos quem é o melhor? Será o jogador que ganhou mais dinheiro? Ele poderá ter uma estratégia de estilo de vida que o permite entrar nas melhores situações, mas poderá não conseguir vencer jogos mais duros. Ele até poderá dizer que é o jogador mais efectivo. Mesmo que se considere a selecção de mãos uma qualidade importante no melhor jogador, é necessário ter em conta um jogador vencedor que possui uma vida fora do poker que o impede de viajar muito. Se ele não consegue encontrar jogos maiores para aumentar a sua bankroll, ele não conseguirá jogar nos jogos mais altos. Consequentemente, ele não conseguirá ser o que ganha mais dinheiro.

O melhor jogador poderá ser alguém que vence consistentemente nas apostas que joga, mas que não arrisca abrir falência nos jogos mais altos. Também poderemos considerar jogadores que são grandes numa mesa de poker, mas que são auto-destructivos em outros aspectos da sua vida privada. Claro que ainda temos o jogador que se acha o melhor, e que sempre que perde encontra na sorte e batota um excelente bode expiatório.

São feitas milhares de decisões sempre que alguém se senta para jogar poker. Por isso, quem é o melhor jogador do mundo? A resposta é: ninguém. Ninguém joga no seu auge todos os dias. Nenhum jogador domina todas as formas de poker contra todos os grupos possíveis e imaginários de adversários todos os dias. Mesmo até no seu círculo de poker, você não será sempre o melhor. Tente apenas jogar bem, e gerenciar bem o dinheiro que investe.

Por Barry Greenstein, em "Ace on the River"