Não sei se algum teólogo de jogos já reparou nisto, mas é uma coisa que me apercebi desde o momento em que entrei para o mundo do poker e que até agora não me sentia com capacidade de falar acerca dela. O poker é sem sombra de dúvida, uma metáfora da vida. Jogar poker é como por momentos reencarnar uma segunda vez, e tentar sobreviver o maior tempo possível. Exagero?Vamos por partes. A vida é feita de decisões, certo? Assim como o poker. Mas as semelhanças não param por aqui. No poker temos os bluffers; na vida temos os aldrabões. Como sempre, existem os bons bluffers e os maus; assim como na vida existem aldrabões que se safam e outros que são fechados na prisão mais próxima. Num jogo de poker existem pessoas que estudam e, por isso, tentam sempre jogadas perfeitas de modo a que o seu rendimento seja positivo; por outro lado, existem pessoas que acham que sabem jogar e culpam o azar do seu mau rendimento. Assim como na vida existem pessoas que sabem tomar boas decisões no seu quotidiano, e que por isso chegam mais longe. Estudam, são aplicadas e inteligentes. Na outra face da medalha, existem aqueles que levam a vida com demasiado facilitismo, e culpam os outros ou o azar de não conseguirem chegar tão longe como aqueles que estudaram e tomaram boas decisões. Mas é aqui que entra o factor mais semelhante entre a vida e o poker: o factor sorte. Ou seja, e remetendo para o caso da vida real, é possível alguém estudar e tomar boas decisões mas ter o azar de as coisas lhe correrem mal. O que equivale num jogo de poker a fazer uma leitura soberba do nosso adversário, dar call ao seu shove com JJ e ele mostrar 2-3 de espadas, e bater no flop sequência ou flush. Eu acho isto espectacularmente interessante.
E destes podemos retirar inúmeros casos que são uma metáfora do que existe na vida real. Como por exemplo, as stakes. Num jogo de poker, cada jogador escolhe a stake mais apropriada para si. Existem jogadores que se sentem bem em tomar muitos riscos, e existem jogadores mais cautelosos. Assim como na vida, existe quem arrisque muito ou pouco. Será benéfico? Isso dependerá da decisão em questão. E tanto na vida como no poker, tudo gira á volta das decisões. E no fim de tudo, a longo prazo, o que realmente irá importar será quem tomou o maior número de boas decisões.
Portanto, o poker poderá ser visto como um jogo dinâmico e social que faz uma caricatura da nossa vida quotidiana. É por isso que não existirá nenhum jogo que seja mais completo e exigente do que este.
André Leitão
NOTA EDITORIAL:
Peço desculpa a todos os leitores pelo tempo sem posts. Acontece que a faculdade pede muito, e o fato de treino estará sempre à frente do blog. No entanto, prometo que irei postar mais vezes, e com mais frequência. Não deixem de visitar este vosso espaço, que como muitos já dizem ser o blog de poker mais completo de Portugal.







e na mesa está 


- o seu adversário aposta $500 criando um pot de $1500. Como vê, está em flush draw - o que lhe dá 9 outs para vencer a mão, o que significa que as probabilidades de vencer o pot são cerca de 4 para 1 contra si. Existem 9 cartas que o ajudam, contra 35 cartas que não o fazem - 35 para 9 significa 4/1. Por isso, você precisará de pot odds melhores do que 4/1 para poder dar call. Então, que pot odds está a ter? O seu adversário apostou $500, criando um pot de $1500. Ou seja, você terá de pagar $500 para ganhar $1500 - o caro leitor apenas têm probabilidades de 3/1 (1500/5=3 ou 500 para 1500=1/3). Não chega: precisará de pot odds superiores a 4/1 para que o seu call seja correcto. Por isso nesta situação, para maximizar a sua EV, deverá desistir do seu flush draw.
- por isso faz um standart raise de 3x a grande cega. Um adversário com $2,000 faz all-in. Todos dão fold até si, e agora tem uma decisão a tomar. Irá custar-lhe $1,400 para dar call ao all-in, e o pot total é de $2,900. 2900 para 1400 = 2/1 pot odds, o que significa que precisa de pot odds um pouco melhores do que 2/1 para dar call nesta situação. Isso significa que se a sua mão tiver pelo menos 30% de hipóteses de vencer contra o range de mãos do seu adversário, é correcto dar call. O problema é que o caro leitor não sabe o que o seu adversário tem. Se ele tiver um par de mão maior do que o seu, as suas probabilidades de vencer são inferiores a 20%. Se soubesse que ele tem par de mão, obviamente que deveria desistir. Mas se ele tiver 
, ô caro leitor será favorito. Terá uma probabilidade de vencer a mão superior a 50%. Em média, contra o range de mãos do seu adversário, é correcto dar call nesta situação. É muito provável que tenha mais do que 30% de hipóteses de vencer. Ou seja, dar call nesta situação é correcto porque os pot odds são maiores do que as probabilidades de você não vencer a mão - o que lhe dá uma equity positiva para dar call.