12.12.09

Bem-vindo às Micro-Stakes


A situação foi a seguinte: SnG de $2 + $0,20 na FTP, depois de um all-in de KK contra AQ fiquei reduzido a 90 fichas e aconteceu a seguinte situação. Bem-vindo às micro stakes... ou devo dizer, bem-vindo ao poker sem cabeça?
(Talvez seja preciso verem em ecrã inteiro para se aperceberem da estupidez da coisa.)

PS: Humberto Brenes a jogar Limit Hold'em $0,10/$0,20 na PokerStars - talvez para gravar algum video educacional, presumo eu. Se não fossem os 61 jogadores em lista de espera para entrar na mesa eu ainda tinha ido lá mandar umas cartadas.

Free Image Hosting
(Clique na imagem para ampliar)

10.12.09

4º Lugar $3 + $0,30 KO Sit & Go

Joguei hoje, pela primeira vez e como experiência, o Sit & Go de $3,30 Knock Out. É por isto que adoro a FullTiltPoker. Então, o torneio está criado para 90 jogadores, e apresenta prémios para os 9 finalistas sendo que o 1º lugar arrecada cerca de $72. Como se isto não bastasse, o torneio é deep stack, isto é, as standart 1500 fichas iniciais são substituídas por 3000.
Ora, se isto torna este torneio tão apetitoso, ainda falta referir que é um torneio knockout. Explico melhor: de cada buy-in são retirados $0,50 que são o prémio de bounty - assim que sempre que eliminar-mos alguém, recebemos $0,50 de recompensa (bounty). Isto torna o torneio muito mais frenético e agressivo (mais do que a FullTiltPoker já o é).

Falando da minha prestação neste torneio, joguei muito tight no início, e soube aproveitar todas as premiums que me foram saindo ao longo das 2 horas de jogo. Dobrei cedo, eliminando dois jogadores com KK, passei para as 7,600 fichas. A partir daí foi jogo de contenção, e de aproveitar os spots. Fui subindo aos poucos e quando dei por ela estava na final table, em 7º lugar no chip count. Surpreendemente, a mesa tornou-se bastante agressiva e fui obrigado a conter-me nos shoves. Ora porque estava contra chip leaders, ora porque não compensava havendo adversários prestes a serem eliminados. A restarem 5 jogadores, fui obrigado a dar call a um all-in com A-T de ouros. O vilain mostra K9 off, e o flop faz brilhar para mim 3 ouros. Depois devido à falta de mãos de jeito, a minha stack foi sendo engolida pelas cegas enormes que se disputavam na altura. Os meus 3 adversários estavam com 60 mil fichas, e eu com K9 de copas no button tive de shovar all-in com as minhas 20 mil fichas (cegas a 1500/3000 com ante de 200). A small dá fold, e a big opta por um call com KT off, tendo-me totalmente dominado. O flop trouxe um par de ternos, turn blank, e no river um K que de nada me serviu. Foram $24.72 de prémio mais $2 de bounty que ganhei ao eliminar 4 adversários. Como sempre, deixo em baixo imagens do torneio disputado.

Free Image Hosting
(clique na imagem para ampliar)

Free Image Hosting
(clique na imagem para ampliar)

Free Image Hosting
(clique na imagem para ampliar)

Free Image Hosting
(clique na imagem para ampliar)

9.12.09

Superar Mentalmente os Adversários

O caro leitor acha, e com razão, que é um jogador de poker sólido - o que o distingue dos loose/agressivos que assustam toda a gente quando colocam uma ficha na mesa. Joga mais mãos do que estes últimos, com vantagens como ter boas mãos, boas posições e aproveitando-se dos menos habilidosos.

Não lhe chegou uma mão jogável, e já parece que já passou uma hora quando recebe KK. Claro que o seu primeiro pensamento é: "Como irei tirar o máximo proveito deste monstro?" É aí que se dá conta que não entrou num único pot durante um largo período de tempo, e que tem uma imagem de um jogador super-tight. Portanto o dilema é o seguinte: quanto apostar? Não muito para ter acção, nem muito pouco porque não deseja muitos adversários. No jogo avançado, os seus adversários tomam nota do estilo de jogo de toda a mesa e são capazes de utilizar essa informação a seu favor. Sabem que quando entra num pot, em geral têm uma boa mão e quando faz raise ou re-raise normalmente tem um monstro (AA ou KK); e por isso chegam à conclusão que lhe tiram a si muitas fichas se atingirem um bom flop ou suited connectors. Também são muito sábios, e não têm problema de foldar AQ, AJ ou KQ.

No entanto, você também observa o que se passa à sua volta, e sabe que está a ser catalogado. Tirar proveito das suas boas mãos torna-se cada vez mais dificil. Como mudar este tipo de imagem?

Bem, existem várias tácticas:
- Baixar o range de mãos iniciais: entrar em mais pots, mas agora encontra-se a jogar igual a eles; e não tem qualquer experiência nisso. Está a jogar roleta russa com adversários habituados a saltar na corda bamba.
- Mudar o ritmo de forma subtil: fazendo raise (não call) nas primeiras ou médias posições com cartas que normalmente não seriam jogadas para tirar proveito da sua imagem.

A partir daqui poderá utilizar estas tácticas a seu bel-prazer: subir nas primeiras posições quando eles pensam que tem uma mão forte, pode ser que receba call - no entanto é muito pouco provável um re-raise. Com uma continuation bet no flop, quase sempre irá arrecadar o pot se aparecer um A ou um K. A única falha em todo este plano é que se o seu adversário não apanhar um trio ou um duplo par não jogará mais a mão. Se ele fizer raise, dê fold. Isto também é benéfico porque está a passar uma imagem de que não joga apenas mãos muito fortes.

Noutras circunstâncias, poderá pagar um raise quando tiver posição com a intenção de jogar agressivamente no flop tendo em mente um bluff, ou esperar pelo turn para roubar o pot. Nada é mais frustrante para o loose-agressive que jogar uma mão fora de posição contra um tigh-agressive que faz call no flop, e faz raise ou shove no turn. A sua imagem consegue portanto, fazê-lo ganhar pots que normalmente desistiria. Isto acontece porque você está na realidade um passo à frente do pensamento dos seus adversários quando apresenta um raciocínio estratégico e táctico superior. Os americanos chamam-lhe "out thinking your rivals".

Se continua a jogar um estilo tight-agressive sem se colocar mentalmente um passo ou dois à frente dos seus adversários, ganhará menos dinheiro e chegará a um ponto em que as suas únicas fontes de rendimento são os jogadores maus e fracos.

in Poker Hispano

6.12.09

PokerStars CUP - O torneio mais ridículo e azarado que já joguei em toda a minha vida!

No momento em que escrevo estas linhas ainda estou em tilt devido a esta minha curta participação na semi-final do campeonato universitário de poker da PokerStars.
Devo dizer que gostei bastante da estrutura do torneio, e até pelas 2 mil fichas iniciais ao contrário das tipicas 1500. Mas esquecime de um factor: o torneio estava, sem sombra de dúvida, repleto de newbies do jogo vindos dos freerolls. Honestamente, acho que as qualificações para a semi-final deste torneio deveriam ser compostas por satélites. Porque senão, uma pessoa não vai para a semi-final jogar poker: vai jogar bingo. E como perdi, perguntam vocês? De uma forma extremamente fascinante. Sabendo da existência de donkeys, joguei um jogo super tight, ou seja, apenas premiums - e ironicamente, foi isso que acabou comigo. 5 minutos de jogo, e recebo KK. Dou standart raise para 90 fichas, e um senhor/donkey de nick headhsot_26 dá all-in com A-9 off. Como é óbvio, dei call imediato e o ás bateu no flop. Levei um grande golpe, e fiquei reduzido a 890 fichas. No entanto, a jogar com cabeça era perfeitamente recuperável. Passado outros 4/5 minutos recebo AA, dou raise all-in e outro senhor de nick JMigS87 dá call com 77. Aqui não condeno o seu call, a sério que não. Ele tinha 5 mil e poucas fichas, e eu teria feito no inicio. No entanto, condeno o meu azar imenso. O terceiro 7 pinta no flop, e eu sou eliminado do torneio. Fui eliminado em duas situações, em que partia com larga vantagem: na primeira tinha 72% de vantagem e na segunda partia com 80%. Nada a que já não esteja acostumado, mas sem dúvida: o torneio mais rídiculo e azarado que joguei em toda a minha vida! Para compensar estive muito bem nos Sit n' Go's que joguei na FullTiltPoker. Ao menos isso. Deixo imagens das 2 situações em baixo que levaram à minha eliminação da PokerStars Campeonato Universitário de Poker (Semi-Final):

Free Image Hosting
(Clique na imagem para ampliar)

Free Image Hosting
(Clique na imagem para ampliar)

Free Image Hosting
(Clique na imagem para ampliar)

Free Image Hosting
(Clique na imagem para ampliar)

3.12.09

Os Diferentes Tipos de Jogadores de Poker

As pessoas perguntam-me sempre, "Quanto dinheiro preciso para jogar num certo jogo?" A resposta usual para este tipo de perguntas é, "Depende." Mas neste caso, a pergunta é que não é correcta. A pergunta na realidade deveria ser, "Dado o meu estado emocional e financeiro, quanto posso arriscar num jogo?"

Vamos examinar estes componentes. Primeiro, o seu estado emocional. Há alguns anos atrás, o Mike Caro distingiu dois tipos de jogadores: os seguros e os aventureiros. Eu gosto de colocar os jogadores de poker em 3 categorias. Primeiro os seguros. Não gostam de correr qualquer risco, e preferem jogar a cêntimos do que correr o risco de falir. Depois vem o jogador normal. Os jogadores normais estão dispostos a correr um risco moderado se pensarem que têm uma modesta vantagem sobre os adversários. E por fim temos os aventureiros, que adoram correr riscos extremos. São o equivalente a um alpinista que tenta chegar ao topo do monte Everest. O risco que isto implica, obviamente, é perder uma grande percentagem da sua bankroll - ou, no pior dos casos, abrir falência.
Existe muita variância entre estes tipos de jogadores, e um jogador seguro poderá tornar-se num aventureiro quandop ganha, e um aventureiro poderá transformar-se num jogador seguro quando perde.

por Steve Zolotow

1.12.09

Crítica: Poker Magazine #1

Eram cerca de 16:24 da passada segunda feira quando, após uma manhã fatídica de treino na faculdade, confiro o meu mail que felizmente me lembrou que nesse mesmo dia tinha saído a primeira revista de poker portuguesa. Rapidamente voltei a vestir os jeans, apanhei a carteira e dirigi-me à paragem mais próxima para ir comprar o que considero um marco na história do poker português.
A revista é gratuita e vem em conjunto com o jornal O Jogo, ou seja: paga-se €0,80 para ter acesso à revista. Isto foi um ponto positivo.

Não pude deixar no entanto, de reparar no formato do título da revista. O caro leitor irá encontrar o máximo de semelhanças possíveis entre o blog Poker Kings (que existe à quase 2 anos) e a nova revista de poker portuguesa. A palavra Poker no topo, e magazine por baixo com o traço estiloso a separar as duas palavras; exactamente com o mesmo tipo de letra. Ora, isto apenas me deixa contente: é sinal de que há 2 anos atrás não escolhi uma estética feia para o título do meu blog.

Quanto à revista em si, eu sei que é a nº 1, mas mesmo assim: pouco material. A revista consiste na sua maioria em entrevistas a profissionais, dando ao mesmo tempo o rescaldo do emocionante EPT Vilamoura ganho por António Matias. Não quero com isto dizer que a revista está má, pelo contrário: foi uma surpresa bastante agradável e aplaudo toda a equipa que finalmente conseguiu levar este projecto avante. No entanto há que tentar publicar artigos didáticos de estratégia para ver se aumentamos o nosso número de jogadores em Portugal. Quanto aos artigos publicados, estão bastante agradáveis - explicando claramente o que aconteceu nos torneios, e não utilizando termos muito complicados para o leitor em questão.

É bom abrir uma revista de poker e conferir os resultados que os portugueses e outros jogadores internacionais têm pelo mundo fora, mas também é importante aprender truques acerca do jogo. Veremos se a revista corrige esta lacuna na sua próxima edição.

30.11.09

Flutuar na Recta Final

Toda a gente procura uma fórmula mágica para saber como jogar rectas finais de torneios multi-mesa - se existe alguma maneira de acumular fichas quando as cegas estão altas e a mesa muito agressiva; impossibilitando a prática do tão conhecido "roubo". Resolvi escrever sobre um tipo de estratégia que poderá ajudar o caro leitor nesta situação e que me tem ajudado bastante nas fases finais deste tipo de torneios.

Existe um conceito chamado float (flutuação) que, de certeza absoluta, é uma estratégia muito utilizada e discutida pelos praticantes de cash games e estudiosos assíduos. É uma estratégia que se fôr aplicada com o timing certo, pode ser bastante lucrativa.

Numa recta final de um torneio, praticamente todas as apostas pré-flop são seguidas por continuation bets. Normalmente, o raise é de 3 vezes a grande cega, e se levar call e ficar na situação de heads up irá apostar 70% das vezes (cerca de 60% do pot) se o adversário fizer check.
É aí que entra a flutuação que, segundo a teoria, mesmo que você falhe completamente o flop e não tenha perspectiva de nada, dá o call à continuation bet do ser adversário esperando que ele faça check no turn para poder fazer uma aposta no turn ou no river, se tiver posição para isso. Isto tem o objectivo de fazer o seu adversário largar a sua mão.

Quais são então os requesitos para fazer uma flutuação?

1- A mão tem de ser jogada em head's-up, porque com mais pessoas fica muito complexa para ser executada.
2- Tem de estar com muita atenção à mesa e reparar nos padrões de todos os adversários, para saber em quais deles este tipo de jogada poderá funcionar. Procure por jogadores que largaram mãos no turn após uma continuation bet. Está sempre a acontecer!
3- As stacks não podem estar muito comprometidas, nem o seu nem o do seu adversário. Não faça jogadas muito requintadas com short-stacks porque eles não têm muito a perder.
4- É importante fazer jogadas deste tipo com mãos que tenham o mínimo de esperança positiva. Esqueça o 7-2 fora de naipe ou o 9-3. Connectors ou com algum tipo de perspectiva podem tornar um float num slowplay depois do flop.
5- Escolha o tempo certo da execução desta jogada. Acho que não é necessário fazer este tipo de jogada com cegas pequenas. Se fôr correr riscos, que seja por algo grande.
6- Faça esta jogada com posição em relação ao seu adversário.
7- A textura do flop é muito importante para que esta jogada resulte bem. É melhor um flop arco-íris, do que um flop que tenha duas cartas do mesmo naipe - pois podem colocá-lo em flushdraw. Por isso, cuidado com o flop. Existem situações em que terá de cancelar a estratégia a meio.

André Akkari